Corpos foram queimados no carro da família em 2020. Filha do casal é uma das acusadas, mas vai a júri em setembro. Para Ministério Público, motivo do crime foi financeiro. Todos os 5 réus estão presos

Redação Publicado em 13/06/2022, às 00h00 - Atualizado às 08h31
A Justiça marcou para as 10h desta segunda-feira (13) o júri popular de quatro dos cinco réus presos acusados de roubar, matar e queimar uma família em janeiro de 2020 no ABC Paulista. O caso teve repercussão à época: A filha das vítimas está envolvida nos assassinatos. Ela, no entanto, vai a júri apenas em setembro.
Em princípio, o julgamento estava marcado para ocorrer em 21 de fevereiro no Fórum do Santo André, mas o juiz Lucas Tambor Bueno decidiu remarcar o júri para junho. Ele alegou que uma das 17 testemunhas faltou e as defesas de alguns dos réus faziam questão da presença dela. Desse modo, o magistrado optou por realizar o julgamento nesta nova data, segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A previsão é de que o júri termine até quarta-feira (15).
O casal de empresários Romuyuki Veras Gonçalves, de 43 anos, e Flaviana de Meneses Gonçalves, de 40, e o filho deles, o estudanteJuan Victor Gonçalves, de 15, foram mortos com golpes na cabeça durante um assalto na casa em que moravam, em um condomínio fechado em Santo André. Os crimes ocorreram em 27 de janeiro de 2020.
Os corpos foram encontrados carbonizados dentro do carro da família no dia seguinte pela polícia, em 28 de janeiro de 2020, em São Bernardo do Campo.
Entre os detidos preventivamente pelos crimes estão a filha do casal e irmã do garoto, Anaflávia Martins Gonçalves, e a então namorada dela, Carina Ramos de Abreu. Também foram presos os irmãos Juliano Oliveira Ramos Júnior e Jonathan Fagundes Ramos, quesão primos de Carina. O quinto preso é Guilherme Ramos da Silva, vizinho dos irmãos Ramos.
Devido à pandemia de Covid, o julgamento será aberto às partes envolvidas diretamente no processo. A imprensa também poderá acompanhar o júri, segundo o TJ-SP.
Segundo a acusação feita pelo Ministério Público (MP), três homens armados (Juliano, Jonathan e Guilherme) entraram no imóvel com a ajuda da filha do casal e da namorada dela (Anaflávia e Carina). Os cinco queriam roubar R$ 85 mil que estariam num cofre, mas, como não encontraram o dinheiro, decidiram levar pertences das vítimas e matá-las.
Carina, Juliana, Jonathan e Guilherme serão julgados nesta segunda pelos crimes de roubo, assassinato (homicídio doloso qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou as defesas das vítimas) ocultação de cadáver e associação criminosa. Anaflávia será julgada pelos mesmos crimes, mas em 19 de setembro, a partir das 10h. A Justiça desmembrou o processo em relação a ela.
O motivo? Anaflávia destituiu sua defesa para ser defendida pelo advogado de Guilherme, Leonardo José Gomes. Como não teria tempo hábil de ler o processo dela, ele pediu à Justiça o adiamento do júri, mas o magistrado manteve o julgamento e determinou que somente a filha das vítimas fosse julgado em separado dos demais réus.
“As rés Ana Flávia e Carina agiram por cobiça, pretendendo alcançar o patrimônio das vítimas. Quanto aos acusados Jonathan, Juliano e Guilherme, a prova oral indica que agiram mediante promessa de recompensa”, escreveu o juiz Lucas na decisão do ano passado, que levou os acusados a júri.
Crimes dolosos (intencionais) contra a vida, como o homicídio cometido contra a família no ABC, são julgados por sete jurados. Ao magistrado, cabe apenas dar a sentença de absolvição ou condenação. A pena máxima para assassinato é de 30 anos de prisão e pode ser aumentada, a depender das qualificadoras envolvidas.
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