Maior sistema de foguetes do mundo liberou 20 satélites experimentais, atravessou a atmosfera e realizou pouso controlado no Oceano Índico, mas falha no retorno do propulsor mostra que desafios ainda permanecem.

Ana Beatriz Silva Publicado em 25/07/2026, às 16h37
A SpaceX completou com sucesso o 13º voo de teste da Starship, culminando em um pouso controlado no Oceano Índico, o que representa um avanço significativo para os planos da empresa de Elon Musk em desenvolver um sistema de foguetes reutilizável.
O teste, que ocorreu em 24 de julho, destacou a eficácia do escudo térmico da nave e a liberação de satélites Starlink V3, embora o propulsor Super Heavy tenha enfrentado problemas durante seu retorno ao mar.
A SpaceX planeja aprimorar a recuperação do Super Heavy e continuar os testes, com a expectativa de que a Starship desempenhe um papel crucial em futuras missões da NASA, incluindo o programa Artemis, que visa levar astronautas à Lua.
A SpaceX concluiu com sucesso o 13º voo de teste integrado da Starship, o maior e mais potente sistema de foguetes já construído. A missão terminou com um pouso controlado da nave no Oceano Índico, após cerca de uma hora de voo e uma sequência de testes considerados fundamentais para os planos da empresa de Elon Musk.
O lançamento aconteceu na noite de sexta-feira, 24 de julho, a partir da Starbase, complexo espacial da SpaceX localizado no sul do Texas, nos Estados Unidos. Com aproximadamente 120 metros de altura, o sistema é formado pelo propulsor Super Heavy, responsável pela primeira etapa do voo, e pela nave Starship, que segue viagem após a separação.
A missão marcou o segundo teste da versão V3 da Starship e representou um avanço importante em relação ao voo realizado em maio, quando problemas nos motores prejudicaram o desempenho do sistema. Desta vez, a nave conseguiu atravessar a atmosfera e chegar ao mar aparentemente com poucos danos em seu escudo térmico.
Nave permaneceu intacta no oceano
Após alcançar o espaço em uma trajetória suborbital, a Starship iniciou o retorno à Terra em alta velocidade. Durante essa etapa, o veículo enfrentou temperaturas extremas causadas pela compressão e pelo aquecimento dos gases ao redor da nave.
Pouco antes de tocar a água, a Starship reacendeu seus motores, realizou uma manobra para ficar na posição vertical e reduziu a velocidade. O pouso foi tão suave que a nave permaneceu intacta e flutuando no Oceano Índico durante os momentos finais da transmissão da SpaceX.
Segundo a empresa, foi o melhor desempenho de reentrada já registrado pelo programa. Em testes anteriores, a nave sofreu danos maiores, explodiu ao tocar o mar ou foi destruída antes de completar toda a trajetória.
A Starship caiu a mais de 16 mil quilômetros do local de lançamento, após atravessar parte significativa do planeta. O objetivo não era recuperar a nave, mas testar sua capacidade de sobreviver ao retorno e reunir informações para futuros pousos em terra.
Engenheiros da empresa comemoraram o resultado. Durante a transmissão, representantes da SpaceX classificaram o pouso como um cenário ideal e destacaram que foi a primeira vez que uma Starship terminou a missão intacta na água.
Escudo térmico passou por teste decisivo
Um dos principais objetivos do voo era avaliar o escudo térmico, estrutura formada por milhares de placas que protege a nave durante a reentrada atmosférica.
Algumas placas foram deliberadamente pintadas ou modificadas para simular danos e permitir que os engenheiros analisassem como o veículo reagiria à ausência parcial da proteção. Sensores instalados na estrutura mediram a pressão e as temperaturas enfrentadas durante o voo.
Seis dos satélites transportados pela missão também foram equipados com câmeras voltadas para a Starship. As imagens registraram o comportamento do escudo térmico durante a descida e continuaram sendo transmitidas mesmo depois de a nave tocar a água.
A resistência desse sistema é considerada essencial para que a Starship possa ser utilizada repetidamente. O projeto da SpaceX prevê que tanto a nave quanto o propulsor retornem à base, sejam preparados novamente e realizem novos voos com intervalos cada vez menores.
Primeiros satélites Starlink V3 foram liberados
O teste também marcou a primeira vez em que uma Starship liberou satélites Starlink reais durante uma missão.
Ao atingir aproximadamente 200 quilômetros de altitude, a nave começou a soltar 20 unidades da nova geração Starlink V3. O mecanismo utilizado funciona de maneira semelhante a um dispensador, liberando os equipamentos individualmente.
Os satélites não foram colocados em órbita permanente. Como o voo era suborbital, eles acompanharam a trajetória da Starship e se desintegraram na atmosfera conforme o planejamento da empresa.
Antes disso, os equipamentos tiveram cerca de 20 minutos para realizar testes. Segundo a SpaceX, os engenheiros conseguiram estabelecer comunicação por rádio e laser, além de receber dados enviados por cada uma das unidades.
Os Starlink V3 foram projetados para oferecer maior capacidade de transmissão de dados e velocidades superiores às gerações anteriores. A SpaceX pretende utilizar a Starship para lançar grandes quantidades desses equipamentos e ampliar a constelação, atualmente formada por aproximadamente 10 mil satélites em órbita.
A empresa também planeja aumentar a capacidade de conexão direta entre satélites e celulares comuns, especialmente em regiões sem cobertura de redes móveis terrestres. A expectativa da companhia é começar a realizar lançamentos operacionais dos novos equipamentos ainda em 2026.
Propulsor teve retorno mais forte que o esperado
Apesar do desempenho positivo da nave, a missão não foi completamente bem-sucedida.
Depois de impulsionar a Starship e realizar a separação, o Super Heavy iniciou sua descida em direção ao Golfo do México. O plano era executar um pouso controlado na água, mas cinco motores não reacenderam durante a etapa final.
Sem potência suficiente para reduzir a velocidade, o propulsor atingiu o mar com mais força do que o previsto. Problema semelhante já havia acontecido no teste anterior, realizado em maio.
O episódio mostra que a SpaceX ainda precisa aperfeiçoar o retorno do Super Heavy. Em missões futuras, a empresa pretende recuperar o propulsor utilizando os braços mecânicos instalados na torre de lançamento, sistema que já foi demonstrado em testes anteriores.
O conceito de reutilização total é uma das bases econômicas da Starship. Ao recuperar e utilizar novamente os dois estágios, a SpaceX pretende reduzir os custos dos lançamentos e aumentar significativamente a frequência das operações espaciais.
Teste tem importância direta para missões da Nasa
O desenvolvimento da Starship também é acompanhado de perto pela Nasa. Uma versão modificada da nave está sendo preparada para funcionar como módulo de pouso lunar no programa Artemis.
Segundo o planejamento divulgado pela agência espacial norte-americana, a missão Artemis III deverá realizar, em 2027, testes de encontro e acoplamento em órbita terrestre envolvendo a cápsula Orion e versões experimentais de módulos desenvolvidos pela SpaceX e pela Blue Origin.
A operação será uma preparação para a Artemis IV, primeira missão tripulada atualmente planejada para levar astronautas à região do polo sul da Lua, em 2028.
Durante a Artemis III, uma versão experimental da Starship deverá se encontrar com a Orion em órbita. Os astronautas permanecerão aproximadamente um dia conectados à nave para realizar verificações de sistemas, comunicações e procedimentos operacionais.
A Starship lunar será diferente da versão que retorna à Terra, mas depende de tecnologias que estão sendo testadas atualmente, como controle de voo, funcionamento dos motores, proteção dos sistemas e capacidade de realizar operações de forma segura e repetida.
Desafios ainda permanecem
O resultado do 13º voo representa um avanço significativo para a SpaceX, principalmente pela sobrevivência da nave durante a reentrada, pelo funcionamento do sistema de liberação de satélites e pela coleta de informações sobre o escudo térmico.
No entanto, o programa ainda precisa demonstrar maior confiabilidade nos motores, aperfeiçoar o retorno do Super Heavy e transformar os testes em operações regulares.
A SpaceX pretende utilizar a Starship para ampliar a rede Starlink, transportar grandes cargas, apoiar missões tripuladas à Lua e, no futuro, realizar viagens em direção a Marte. Para que esses planos avancem, a empresa terá de provar que o maior foguete do mundo também pode se tornar um sistema seguro, reutilizável e capaz de voar com frequência.
Leia também

Eduardo Moura gera repercussão após declaração sobre conteúdo ilegal em debate

Hospitais suspendem atendimento a planos da Geap por atrasos em pagamentos

Influência política de "Waguinho Batman" não impede elogios por sua prisão

Inmet alerta para tempestades, ventos fortes e risco de granizo em São Paulo

Morre Karine Felipe, influenciadora que lutava contra doença rara

Milei chama Moraes de "lixo careca" e reforça apoio a Bolsonaro em convenção do PL

Cinco exames podem revelar alterações comuns durante a menopausa

Minas Gerais registra 476 amputações por câncer de pênis em cinco anos

God of War Laufey ganha data de lançamento e coloca Faye no centro da franquia

Filha do bilionário Silvio Tini não presta contas a justiça e retém quase R$ 1 milhão da própria mãe