Bill Ready se posiciona durante julgamento nos EUA sobre efeitos das plataformas na saúde mental de adolescentes

Erika Osti Publicado em 20/03/2026, às 16h23
Em meio a um julgamento que pode redefinir a responsabilidade das plataformas digitais, o CEO do Pinterest, Bill Ready, defendeu que governos adotem a proibição do uso de redes sociais por adolescentes com menos de 16 anos. A manifestação foi publicada nesta sexta-feira (20) em sua conta no LinkedIn, enquanto um júri nos Estados Unidos analisa acusações de que grandes empresas de tecnologia contribuem para uma crise de saúde mental entre jovens.
No texto, o executivo propõe regras mais rígidas e fiscalização efetiva sobre o acesso de menores às plataformas.
Precisamos de um padrão claro: nada de redes sociais para adolescentes menores de 16 anos, respaldadas por uma aplicação real da lei e responsabilidade pelos sistemas operacionais de celulares e pelos aplicativos que rodam neles”, afirmou.
O posicionamento ocorre durante um processo em andamento em Los Angeles, no qual empresas como Google e Meta enfrentam questionamentos sobre os efeitos de seus produtos na saúde mental de adolescentes. O júri já está em fase de deliberação.
Ao defender a restrição, Ready se distancia da postura predominante entre líderes do setor, historicamente contrários a regulações mais duras. Ele citou como referência a legislação da Austrália, que estabelece limites mais rígidos para o uso de redes sociais por menores.
Apesar da defesa pública, o próprio Pinterest permite a criação de contas a partir dos 13 anos nos Estados Unidos, prática comum entre plataformas digitais. Procurada, a empresa não comentou a declaração.
Nos últimos anos, a companhia tem ampliado sua presença entre usuários mais jovens, especialmente da geração Z. Dados de mercado indicam que uma parcela relevante do público da plataforma está concentrada entre jovens adultos.
O debate sobre o uso de redes sociais por adolescentes ganhou força diante do avanço de estudos e ações judiciais que associam o uso intensivo dessas plataformas a problemas como ansiedade, depressão e dependência digital. O desfecho do julgamento nos Estados Unidos pode influenciar novas regulações e ampliar a pressão sobre as empresas de tecnologia.
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