Casados há dez anos, Guaracy Chaves Santos e Nedda Dalduque se viram pela última vez há quase um mês. Depois do diagnóstico positivo para Covid-19, os dois

Redação Publicado em 03/05/2020, às 00h00 - Atualizado às 10h23
Casados há dez anos, Guaracy Chaves Santos e Nedda Dalduque se viram pela última vez há quase um mês. Depois do diagnóstico positivo para Covid-19, os dois aposentados foram internados em hospitais diferentes. Longe da mulher e dos filhos, Guaracy quase passou em branco pelo aniversário de 81 anos, não fosse por uma atitude de duas médicas, que fizeram a felicidade dele e de toda a família, ainda que à distância: com bolo, velas e “parabéns para você”, o idoso viu uma foto da amada, com a garantia de que ela bem, apesar de longe.
A iniciativa foi das médicas Rebecca Edson e Carolina Simões, que encaram juntas os plantões no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Casa Evangélico, na Tijuca, e tentam, sempre que possível, aproximar pacientes e seus familiares com uma ajudinha da tecnologia, através das chamadas de vídeo. Na última semana, além das ligações, elas resolveram inovar e cantaram “parabéns” para Guaracy e Dulcine Lima, outra paciente do CTI, que completou 87 anos.
“A partir do momento que a pessoa entra no CTI, não tem mais contato com ninguém, fica isolado do mundo, e é desesperador. Conseguimos um bolo com o setor de Nutrição e foi lindo. Outros três pacientes que estavam acordados e lúcidos também participaram da festa, ficaram animados. Quando o plantão permite, a gente consegue fazer esses carinhos, que é empatia mesmo, se colocar no lugar dos familiares e dos pacientes. Todo mundo lavou a alma”, conta Carolina.
Três dos quatro CTIs do hospital estão com atendimento exclusivo para pacientes suspeitos ou já positivos para Covid-19, o que já soma mais de trinta leitos — todos ocupados, segundo Rebecca. O clima de tensão é constante, mas cada chamada feita aos familiares traz um pouco de alegria à equipe.
“Tenho feito as chamadas de vídeo com os pacientes que estejam acordados e consigam ter algum tipo de interação. Já fiz até com paciente entubado que estava acordado. Mesmo que ele não conseguisse falar, conseguia ouvir a esposa e a filha, e foi muito legal”, lembra Rebecca.
Se para quem mora na mesma cidade a aflição de ter um familiar internado por conta do coronavírus já é grande, para quem está longe é ainda pior. Três dos quatro filhos de Guaracy moram na Paraíba, e Eloá Maria Ciraulo Santos, de 55 anos, vive no Distrito Federal. As chamadas de vídeo são um respiro de tranquilidade para a família.
“Faz muita diferença nesse momento que estamos vivendo, ainda mais separados. Toda atitude de carinho, de cuidado, é muito bem vindo. A gente precisa dessas informações, e dependemos muito dos profissionais de saúde. Eles têm sido peça fundamental. Cada ligação que eu recebo do Rio de Janeiro, meu coração já pula”, conta a aposentada e estudante de direito.
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