Nenhum dos PMs acusados do homicídio e da remoção do cadáver de Claudia Silva Ferreira, arrastada por uma viatura da Polícia Militar por 300 metros na zona

Redação Publicado em 16/03/2020, às 00h00 - Atualizado às 12h33
Nenhum dos PMs acusados do homicídio e da remoção do cadáver de Claudia Silva Ferreira, arrastada por uma viatura da Polícia Militar por 300 metros na zona norte do Rio, foi julgado nem punido pela corporação. Nesta segunda-feira (16), o crime completa seis anos.
Dois dos PMs que integravam a patrulha se aposentaram depois do homicídio. Já os outros quatro agentes envolvidos no caso seguem trabalhando nas ruas da Região Metropolitana do Rio.
O processo judicial contra o grupo anda a passos lentos na 3ª Vara Criminal da capital. Somente em março do ano passado — cinco anos após o crime —, foi realizada a primeira audiência do caso, em que foram ouvidas testemunhas de defesa e acusação. A próxima audiência , em que serão ouvidos os réus, está marcada para o próximo dia 25.
Dois dos PMs, o capitão Rodrigo Medeiros Boaventura, que comandava a patrulha , e o sargento Zaqueu de Jesus Pereira Bueno, respondem pelo homicídio de Claudia . Após as audiências, o juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira vai decidir se a dupla vai à júri popular.
Já os subtenentes reformados Adir Serrano e Rodney Archanjo, o sargento Alex Sandro da Silva e o cabo Gustavo Ribeiro Meirelles respondem pelo crime de fraude processual, por terem modificado a cena do crime , removendo Claudia, já morta , do Morro da Congonha. Todos respondem ao processo em liberdade.
Já a PM nunca puniu os agentes. Desde 2014, não foi aberto nenhum processo administrativo para avaliar se os policiais têm condição de permanecer na corporação. Ao EXTRA, a PM alega que “as medidas administrativas no âmbito da corporação estarão vinculadas ao resultado do julgamento”.
No entanto, segundo o Regulamento Disciplinar da PM, os processos judiciais e administrativos correm separadamente. Há diversos casos de processos administrativos abertos sem uma sentença judicial: o sargento reformado Ronnie Lessa, por exemplo, acusado do homicídio da vereadora Marielle Franco, já passa por um Conselho de Disciplina, mesmo sem ter sido condenado.
Os quatro PMs que seguem na ativa estão lotados em batalhões da Região Metropolitana e não tem qualquer restrição de atuação: podem patrulhar as ruas e até participar de operações. O comandante da patrulha foi promovido desde então: na época do crime, o capitão Rodrigo Boaventura era tenente. Hoje, ele trabalha no 41º BPM (Irajá).
Dois dos PMs , o sargento Zaqueu Bueno e o cabo Gustavo Meirelles, trabalham no 7º BPM (São Gonçalo). O sargento Alex Sandro da Silva Alves trabalha no 9º BPM (Rocha Miranda), mesma unidade em que trabalhava na época do crime.
IG
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