Jesualdo Ferreira, técnico do Santos, diz que o medo é a primeira grande herança da pandemia causada pelo novo coronavírus em todo o mundo.

Redação Publicado em 03/05/2020, às 00h00 - Atualizado às 17h36
Jesualdo Ferreira, técnico do Santos, diz que o medo é a primeira grande herança da pandemia causada pelo novo coronavírus em todo o mundo.
O treinador falou sobre Portugal, seu país, e a volta do esporte na primeira divisão para junho, em sua coluna semanal no jornal “O Jogo”.
Em outra parte do texto, Jesualdo lamentou a perda da irmã e agradeceu pelo carinho nesta semana.
“Chegou a notícia que todos os portugueses que gostam de futebol ansiavam. O campeonato vai regressar e, se não houver qualquer percalço – e com esta pandemia nunca se sabe -, será para ir até o fim.
Uma notícia agradável, só possível porque há condições para o gradual desconfinamento das medidas, porque Portugal trabalhou bem nesta fase, não deixou que a curva epidemiológica subisse. Portugal e os portugueses, que têm sido de um civismo e de uma solidariedade notáveis.
Para os profissionais de futebol, vem aí uma situação nova: há que preparar em um mês os jogadores para as dez jornadas que faltam do campeonato. É uma situação destas, e é claro que será complicado para todos encontrar o melhor caminho.
Os treinos não serão os convencionais, pelo menos numa primeira fase, e os ritmos que as equipes vão apresentar quando voltarem aos jogos é para todos nós uma incógnita. Mas para além de todas as questões físicas, técnicas e táticas, o maior inimigo dos profissionais de futebol é o medo. Foi esta a primeira grande herança que a pandemia nos deixou, o medo do contágio, o medo de uma segunda vaga de uma pandemia cuja dimensão ainda não está devidamente avaliada.
Ainda há muitas decisões a tomar, nomeadamente em relação a quem sobe e a quem desce, mas há uma coisa que é incontornável: as equipes da Liga II, quase todas, vão sofrer enormes prejuízos materiais e emocionais, e estes até serão os mais difíceis de ultrapassar. Porque um futebolista gosta de jogar, não gosta de ver. Mas, enfim, arranca a Liga I e esse é um fato positivo no meio desse drama. Acredito que para os portugueses terá também um psicológico positivo – os portugueses precisam de algo que os alegre, e o futebol, mesmo sem gente nos estádios, é capaz de devolver alguma dessa alegria perdida. Já outra coisa que é indesmentível: as críticas sobre essas decisões em relação ao futebol português vão ser muitas, mas a grande questão é: que outra forma havia para resolver o problema? Que solução? Os próximos dias se calhar vão nos trazer mais reações de desagrado, enquanto o futebol não recomeça”.
Leia também

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

O fim da Ordem Mundial: 2026 e o retorno do "cada um por si"

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Messi fica fora de treino antes da semifinal da Copa do Mundo

Polícia Civil desmonta esquema com mais de 100 empresas de fachada e prende suspeito em São Paulo

Espanha supera França, bate recorde de invencibilidade e garante vaga na final da Copa

Flávio Dino cobra explicações do Congresso e amplia investigação sobre emendas parlamentares

Lula sanciona lei que torna obrigatória educação política e cidadania nas escolas

França celebra a Bastilha, mas enfrenta uma batalha pela própria identidade

Trump revoga taxa de 20% sobre navios em Ormuz, mas mantém bloqueio ao Irã