Quase 85 mil crianças morreram vítimas da fome ou de doenças desde a intensificação da guerra no Iêmen, entre abril de 2015 e outubro de 2018. A estimativa

Redação Publicado em 21/11/2018, às 00h00 - Atualizado às 08h36
Quase 85 mil crianças morreram vítimas da fome ou de doenças desde a intensificação da guerra no Iêmen, entre abril de 2015 e outubro de 2018. A estimativa feita pela ONG Save The Children foi divulgada nesta quarta-feira (21).
A organização afirma que utilizou dados da Organização das Nações Unidas (ONU) para avaliar a taxa de mortalidade provocada pela desnutrição aguda e as doenças em crianças de menos de cinco anos.
Com base em uma “estimativa prudente”, a ONG calcula que 84.701 crianças de menos de cinco anos morreram por causa da fome e das doenças neste período. Outras morreram nos combates que afetam o país pobre da península arábica.

Criança sub-nutrida é atendida em hospital no Iêmen. — Foto: REUTERS/Khaled Abdullah
A guerra já deixou quase 10 mil mortos e deixou 14 milhões de pessoas no limite da fome, segundo a ONU.
“Estamos horrorizados com o fato de que 85 mil crianças tenham morrido de fome. Para cada menor morto por bombas ou tiros, dezenas morrem de fome e isto pode ser evitado, lamentou em um comunicado Tamer Kirolos, diretor da Save The Children para o Iêmen.
A guerra no Iêmen confronta as forças pró-governo e uma coalizão liderada pela Arábia Saudita contra os rebeldes huthis, apoiados pelo Irã.
Os bloqueios comerciais são impostos pelos sunitas sauditas, que impedem que ajuda humanitária e itens básicos, como comida, gás de cozinha e medicamentos, cheguem a 70% da população iemenita. Além da fome, a população também sofre de doenças como a cólera.
No início de novembro, o diretor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Oriente Médio e na África do Norte afirmou que o país se tornou um “inferno na terra” para as crianças.
“O Iêmen é atualmente um inferno na terra, não apenas para 50% ou 60% das crianças, mas para cada menino e menina que vive no Iêmen”, assegurou Geert Cappelaere.
Na ocasião, ele mencionou uma estimativa da organização que aponta que 1,8 milhão de crianças menores de cinco anos estejam em situação de “desnutrição severa”.
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