Até bem pouco tempo, a paquistanesa Sherbano nunca havia recebido pagamento por seu trabalho.

Redação Publicado em 27/12/2018, às 00h00 - Atualizado às 08h32
Até bem pouco tempo, a paquistanesa Sherbano nunca havia recebido pagamento por seu trabalho.
Ainda assim, ajudou centenas de mulheres a dar à luz.
Há dez anos, ela é parteira na região dos Himalaias, que abrange cinco países: Paquistão, Índia, China (que inclui o Tibete), Nepal e Butão.
“Nunca falei sobre isso, mas trouxe ao mundo mais de cem bebês”, diz.
“Nunca recebi nenhum pagamento. Uma pessoa talvez tenha me oferecido chá; outras, 100 rúpias”, acrescenta.
“As pessoas aqui são pobres e estão desempregadas, mas ajudo todo mundo”.
Sherbano conta que virou parteira logo depois que seu primeiro filho nasceu.
“Não havia parteiras em nosso vilarejo. Fiquei em trabalho de parto por dois ou três dias sem qualquer ajuda. Enquanto estava sentindo dor, decidi que, assim que tudo terminasse, viraria parteira”, explica.

Sherbano nunca recebeu pagamento pelo trabalho — Foto: BBC
A região do Himalaia em que ela vive é desprovida de qualquer estrutura – nem carros circulam.
“Mas, de dia ou de noite, se me chamarem, eu vou”, diz Sherbano.
No Himalaia, pode ser perigoso ir de um vilarejo a outro.
Sherbano é considerada uma espécie de “super-heroína” pelas mulheres.
“Comprei um kit de parteira e uma máquina para medir a pressão sanguínea”, diz.
“Visito grávidas para ver como elas estão. Dou conselhos sobre como comer bem e outros cuidados de saúde”, acrescenta.
Ela mesma faz o parto se for uma gravidez descomplicada.
“Quando comecei, era a única parteira. Agora, temos três ou quatro, mas ainda não é o suficiente para uma área tão grande”, diz.
“Espero que possamos ter uma estrutura adequada um dia”, acrescenta.
Segundo a Unicef, o braço da ONU para a infância, apenas 39% das mulheres têm acesso a parteiras no Paquistão.
Recentemente, Sherbano foi contratada pelo governo.
“Fico feliz de ver as crianças crescendo e indo para a escola. Deus também deve estar feliz por mim; sinto como se fossem meus próprios filhos”, conclui.
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