Há dois anos, Nina reside no subsolo do Palácio Nove de Julho, prédio da Assembleia Legislativa de São Paulo, na Zona Sul da cidade. Ganhou cama, coleira, e

Redação Publicado em 02/06/2018, às 00h00 - Atualizado às 09h51
Há dois anos, Nina reside no subsolo do Palácio Nove de Julho, prédio da Assembleia Legislativa de São Paulo, na Zona Sul da cidade. Ganhou cama, coleira, e potes que estão sempre cheios de água e comida. Ela é a terceira cachorrinha a fazer morada no parlamento paulista e ser acolhida pelos funcionários da Casa.
A primeira a habitar o espaço está enterrada jardim do estacionamento. No local, há uma placa com a foto da cadela e uma frase de efeito: “Eles não falam, mas seus olhos nos dizem coisas que muitas vezes gostaríamos de ouvir de alguém”.
A autora da mensagem, Victorina Thereza Frugoli, de 77 anos, é também a responsável pela manutenção e livre circulação dos animais na Alesp – que andam de elevador, acompanham as rondas policiais e já até marcaram presença em sepultamentos.

Local onde Nega, primeira cachorrinha da Alesp, foi enterrada (Foto: Fabio Tito/G1)
Victorina trabalhava no cerimonial da Assembleia, em 1999, quando Nega entrou pelo estacionamento do prédio e decidiu que ali passaria a viver.
“Ela morou 17 anos. Saia todos os dias, mas sempre voltava. Participava das cerimoniais, chegou até a ficar embaixo do caixão da Inezita Barroso [cantora que morreu em 2015]. A Nega usava um coletinho que mandei bordar com o telefone dos bombeiros, pois eles trabalham direto aqui, estão sempre de plantão”, explica.
A adoção foi coletiva, mas Victorina é quem assume a maior parte dos cuidados com a alimentação e saúde dos animais. A aposentada segue diariamente na Alesp, mas hoje atua na Associação dos Aposentados e Pensionistas da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ASPAL). Ela financia a comida de Nina, que desde a fatídica castração, deixou de comer ração e só aceita uma comidinha caseira: arroz com frango, e também leva para consultas no veterinário, quando necessário.

Victorina Thereza Frugoli, conhecida na Alesp como “mãe” dos animais de estimação da Casa (Foto: Fabio Tito/G1)
“Um funcionário da limpeza se ofereceu para fazer a comida dela todos os dias. Eu dou o dinheiro, ele cozinha e trás”, explica.
Antes de serem castradas, Nega e Nina deram cria. De acordo com Victorina, todos os filhotes – 18 no total; 10 de Nega, oito de Nina – foram adotados por funcionários da Assembleia.
A Casa também teve um terceiro morador. Mais arredio, Nego habitou o espaço na mesma época de Nega, mas deixou a Casa dez anos depois, sem aviso prévio.
“Morava aqui também, tinha uma casinha atrás da guarita dos PMs. Ficou dez anos. Ninguém nunca conseguiu colocar a mão nele. Um dia, sumiu. Procuramos muito, mas não o encontramos mais”, lamenta.
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