Rodrigo Constantino

Redação Publicado em 13/01/2021, às 00h00 - Atualizado às 11h36
Rodrigo Constantino
Cinco dias após divulgar que a eficácia da vacina Coronavac era de 78% para casos leves de Covid-19 e 100% para graves e moderados, o Butantan e o governo de São Paulo divulgaram, nesta terça-feira, a eficácia geral da vacina: 50,34%, ligeiramente acima do mínimo exigido (50%) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aprovar um imunizante. Passou raspando, o que é no mínimo suspeito.
Até porque o número vem caindo desde o começo, quando foi divulgado que a eficácia beirava os 100%. Parece até pesquisa do Datafolha para candidato esquerdista, que começa num patamar elevado e termina bem abaixo. Vindo de quem tem feito um esforço estupendo para se tornar garoto-propaganda da vacina chinesa, essa taxa fica ainda mais suspeita: Doria apostou tudo nesse cavalo, e o comprometimento gera um grande conflito de interesses.
Alguns formadores de opinião “dorianas” ainda tentaram fazer do limão uma limonada. Colocaram a culpa nos responsáveis pelo marketing ao divulgar os dados, destacando que a taxa para casos graves é excelente. Só há um problema: o próprio diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan, Ricardo Palácios, afirmou que a taxa de eficácia da Coronavac de 100% em casos moderados e graves nos estudos de fase 3 da vacina ainda não tem relevância estatística. O tamanho da amostra: sete pessoas!
Quando lembramos que o Butantan postergou duas vezes a entrega dos resultados, que a origem da vacina é uma empresa acusada de pagar propina no passado para liberar vacinas, e que atua num país sob uma ditadura sem qualquer transparência onde a pandemia começou, desconfiar dessa estreita margem de 0,34% para a sua aprovação não é um direito, mas um dever de todos preocupados com a saúde alheia.
Acontece que a turma “doriana” vem tentando monopolizar a fala em nome da ciência desde o começo, ignorando que o método científico exige ceticismo, questionamento, cautela e humildade. Nada parecido com a postura do governador e seus empolgados defensores na mídia. Doria politizou a pandemia desde o primeiro dia, de olho em 2022. Vendeu-se como um gestor eficiente, baseado na ciência e focado apenas na vida do povo, contra um presidente obscurantista e insensível, quiçá genocida. E para manter essa narrativa estapafúrdia vale tudo.
A Coronavac virou “cara ou coroa”, o sujeito toma sem saber se está ou não imunizado, isso sem falar de eventuais riscos a longo prazo, já que foi produzida às pressas e acelerando etapas. Além disso, é a mais cara do mercado, sendo que as outras que já divulgaram seus resultados apresentam uma taxa de eficácia bem superior, em torno de 90%. Por que diabos alguém festejaria, então, um gasto tão elevado na pior vacina que temos até aqui?
Tudo isso remete a um espetáculo patético de empulhação, deixando de lado toda a hipocrisia dos “isolacionistas” radicais, que mandam todos ficarem em casa enquanto vão à praia (ou a Miami). O povo cansou. E percebe o jogo sujo. Só há uma explicação para quem ainda enaltece a conduta do governador de SP nessa pandemia: é gado chinês. Olha com simpatia para o regime ditatorial comunista, seja por afinidade ideológica, seja por recompensas pecuniárias.
Já temos até aquele “especialista” adorado pela patota falando em “autoritarismo necessário”, para calar vozes “antivacina” ou impor a vacina na marra em quem está desconfiado. O sonho dos “dorianas” parece mesmo ser o de transformar nosso país numa província chinesa.
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