Pastores estão entre os investigados por esquema que teria causado prejuízo superior a R$ 263 mil por meio de fraudes em transações digitais

Letícia Sales Publicado em 09/06/2026, às 09h15
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (9), a Operação Chargeback para desarticular uma organização suspeita de aplicar golpes envolvendo transações com cartão de crédito e pedidos fraudulentos de estorno. A ação ocorre em cidades da Grande São Paulo e na capital, com o cumprimento de oito mandados de prisão e 15 mandados de busca e apreensão.
Até o início da manhã, três pessoas haviam sido presas. Entre os principais alvos estão dois pastores de uma igreja localizada na Zona Leste de São Paulo, apontados pelas investigações como líderes do esquema criminoso.
Segundo a polícia, Marley Garcia de Almeida Frades e Aline Lopes Pereira da Silva são suspeitos de coordenar a fraude, mas não foram localizados durante a operação porque estariam fora do Brasil. Mesmo ausentes, ambos possuem mandados de prisão expedidos pela Justiça paulista. Um terceiro pastor também é investigado, mas sua identidade não foi divulgada.
As investigações são conduzidas pela 3ª Delegacia de Crimes Cibernéticos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). De acordo com os investigadores, o grupo explorava o mecanismo conhecido como "chargeback", utilizado para contestar compras feitas com cartão de crédito.
O esquema funcionava por meio da geração de links de pagamento em uma plataforma digital. Esses links eram enviados a pessoas ligadas à organização, que realizavam transações aparentemente legítimas. Após a confirmação dos pagamentos, os valores eram rapidamente transferidos para contas de terceiros.
Na etapa seguinte, os responsáveis pelas compras solicitavam o cancelamento das operações junto às administradoras dos cartões, alegando irregularidades. Como os recursos já haviam sido retirados das contas receptoras, o prejuízo ficava com a plataforma financeira.
Segundo a Polícia Civil, foram identificadas 27 operações fraudulentas realizadas durante dezembro de 2024. O valor total do prejuízo ultrapassa R$ 263 mil.
Os mandados estão sendo cumpridos em São Paulo, Guarulhos e São Caetano do Sul. A expectativa dos investigadores é reunir novas provas que ajudem a identificar outros integrantes da organização e esclarecer a participação de cada suspeito no esquema.
A operação segue em andamento e os envolvidos poderão responder por crimes relacionados a estelionato eletrônico, associação criminosa e fraude financeira.
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