O presidente Jair Bolsonaro usou trecho de pronunciamento do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, para sustentar

Redação Publicado em 31/03/2020, às 00h00 - Atualizado às 11h52
O presidente Jair Bolsonaro usou trecho de pronunciamento do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, para sustentar que, agora, até a entidade internacional defende o retorno ao trabalho. Ele aventou a possibilidade de convocar novamente cadeia nacional de rede e TV nesta noite para comentar a fala do diretor-geral da entidade. Na véspera, Tedros citou a preocupação com pessoas isoladas em lugares mais pobres do mundo que têm que trabalhar diariamente para ganhar o “pão de cada dia”.
Mais cedo, Bolsonaro havia publicado um vídeo com a parte da fala de Tedros, legendas, em suas mídias sociais. A OMS , no entanto, continua pregando o isolamento e o distanciamento social como principais medidas contra a Covid-19 .
Depois de sair do carro, o presidente foi saudado com a menção ao dia 31 de março, quando o golpe militar de 1964, exaltado por ele, completa 56 anos.
“Porra, é o dia da liberdade hoje”, respondeu Bolsonaro , disse ao deixar o Palácio da Alvorada.
Quando uma liderança da greve dos caminhoneiros de 2018 lhe parabenizou, o presidente pediu que ele se falasse voltado para os repórteres que estavam no local. Júnior, como se apresentou, disse que a categoria protestou contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), desafeto do presidente.
“Sintam-se abraçados por nós, leve o desejo da categoria de manter o Brasil seguindo, porque nós temos no senhor um espelho de vida, um ídolo, e pode ter certeza que a classe dos caminhoneiros está sob seu comando”, declarou o caminhoneiro”.
Em seguida, Bolsonaro perguntou se os jornalistas viram o que o diretor da OMS reforçou que há dois problemas indissociáveis: o vírus e o desemprego.
“Quando eu comecei a falar isso, entraram até com processo no Tribunal Penal Internacional contra mim, me chamando de genocida. Eu sou um genocida por defender o direito de você levar um prato de comida para tua casa – comentou, apesar de não haver um processo formalizado até o momento”.
Segundo Bolsonaro, Tedros estava aparentemente “um pouco constrangido, mas falou a verdade”.
“Eu achei excepcional a palavra dele, e meus parabéns: OMS se associa a Jair Bolsonaro “, declarou, arrancando aplausos da claque que estava amontoada na sua frente.
Um homem que se identificou como professor de matemática e tem um recém-criado canal de YouTube disse então que “só fica sabendo dessas coisas no Twitter “. O presidente voltou a reclamar da notícia de que ele foi “passear” em Ceilândia e Taguatinga, no Distrito Federal, no domingo e disse que foi “ver o povo”.
iG
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