
por Kleber Carrilho
Publicado em 14/12/2024, às 07h14
O ano vai chegando ao fim, mostrando que a gente está vivendo um momento de transição, marcado por incertezas, tanto no plano internacional quanto no nacional. Na Síria, o enfraquecimento e a queda do governo de Bashar al-Assad representam o fim de uma era, com implicações profundas para o Oriente Médio e para o equilíbrio geopolítico global. Enquanto isso, no Brasil, a internação repentina do presidente Lula, devido a uma hemorragia cerebral, lança dúvidas sobre a liderança progressista no país e sobre as perspectivas para 2026.
A queda do regime de Assad é um marco em um conflito que já dura mais de uma década. Com apoio fundamental da Rússia e do Irã, Assad sobreviveu ao levante popular de 2011 e às forças opositoras que se consolidaram ao longo da guerra civil. No entanto, o desgaste econômico, os embargos internacionais e as divisões internas tornaram seu governo insustentável. Sua saída do poder representa uma oportunidade para a reconfiguração do Oriente Médio, mas também um risco de novos conflitos e disputas pelo controle da região. Além disso, o papel dos EUA nesse cenário é uma incógnita, especialmente com o segundo mandato de Donald Trump.
Durante a campanha, ele foi claro: sua prioridade será o público interno. Embora isso não seja uma grande novidade, afinal a política externa americana sempre esteve a serviço dos interesses nacionais, a diferença está na abordagem. Trump tem pouca disposição para investir em estabilização ou reconstrução no exterior, mesmo que isso envolva aliados estratégicos. Sua visão pragmática pode deixar regiões instáveis, como o Oriente Médio, ainda mais vulneráveis à influência de potências como China e Rússia.
Enquanto isso, no Brasil, a súbita internação de Lula abala o cenário político. O presidente, que é peça central da articulação dos progressistas no país, enfrenta um quadro de saúde delicado. Uma hemorragia cerebral e a transferência para a UTI geram preocupações não apenas sobre sua recuperação, mas também sobre a ausência de um sucessor claro para as eleições de 2026. Até agora, Lula era visto como o único nome capaz de re-unir uma frente ampla e enfrentar uma direita ainda fragmentada, principalmente se Bolsonaro não puder mesmo ser candidato.
No final, o que vemos é um ano que termina com tantas incertezas. O Oriente Médio e o Brasil são apenas dois exemplos de como os próximos anos serão moldados por mudanças profundas. No caso brasileiro, a saúde de Lula será um fator determinante para o futuro do que chamamos de esquerda, mas também do próprio país. No plano global, a postura de Trump na presidência pode acelerar transformações geopolíticas que já estão em curso.
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