São viajantes da Europa, outros estados do Brasil, outras cidades e moradores que contraíram a doença dentro do próprio município, como o 2º caso positivo de Campinas (SP), confirmado nesta quarta (20)

G1 Publicado em 21/07/2022, às 08h02
Primeiro a apresentar casos de varíola dos macacos no Brasil, o estado de São Paulo desponta como o epicentro dos registros da doença no país. Nesta quarta-feira (20), a Secretaria de Estado da Saúde confirmou 374 pessoas que foram infectadas pelo vírus monkeypox, número 91,8% maior do que os 195 casos de uma semana atrás. O primeiro caso, aliás, foi há apenas 40 dias, em 9 de junho.
Entre os pacientes, estão viajantes para a Europa, outros estados do Brasil, outras cidades e moradores que contraíram a doença dentro do próprio município - é o caso do segundo registro da doença em Campinas (SP), confirmado nesta quarta.
Demora para diagnósticos no Brasil
Consultora da Sociedade Brasileirade Infectologia, a médica da Unicamp Raquel Stucchi disse ao g1 que houve uma demora nos diagnósticos no Brasil por falta de conhecimento da população e também dos profissionais de saúde, a respeito dos cuidados, da transmissão e do isolamento necessário.
"Muitos desses pacientes, aparecem as lesões e eles acham que é uma espinha, um pelo encravado, talvez um herpes que apareceu e não se preocupam. Continuam com seus hábitos e com as suas atividades cotidianas e normais, até mesmo do ponto de vista de atividade sexual."
"Muitos médicos, urologistas, proctologistas, que têm sido muito procurados porque essas lesões normalmente aparecem em região genital ou perianal, acabam também não tendo esta clareza da ocorrência da monkeypox, do seu diagnóstico, e que outras doenças de transmissão sexual podem ser diagnosticadas simultaneamente com monkeypox. Isso retarda o diagnóstico e aumenta o risco de transmissão", completa.
Fora do continente africano, Raquel afirma que a varíola dos macacos tem se resolvido em um período de duas a três semanas. "Pode trazer o impacto do ponto de vista pessoal, do isolamento das atividades e, eventualmente, econômico, conforme o número de pessoas acometidas."
Ela questiona que não há uma comunicação clara sobre quem faz parte do grupo de maior risco e quando é o momento de procurar atendimento presencial.
"Sem ter a divulgação de uma orientação adequada, nós poderemos perpetuar a transmissão e, daí, ter um número muito maior de casos em um curto intervalo de tempo", alerta.
Não existe um tratamento específico para o vírus, segundo a infectologista. Os pacientes são acompanhados, em isolamento, e são considerados de alta quando não há mais lesões no corpo. "A maior parte dos casos têm sido leves".
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