A vacina recebeu autorização de uso em Gana, Nigéria e Burkina Faso

Lillia Soares Publicado em 02/10/2023, às 18h22
Nesta sexta-feira (02), a Organização Mundial da Saúde (OMS) deu sinal verde para a utilização de uma segunda vacina contra a malária em crianças, uma doença que causa a morte de milhares de pessoas anualmente.
"Como pesquisador da malária, sonhava com o dia em que teríamos uma vacina segura e eficaz contra a malária. Agora temos duas", comentou em uma coletiva de imprensa o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
"Tenho o grande prazer de anunciar que a OMS recomenda uma segunda vacina, chamada R21/Matrix-M, para prevenir a malária em crianças com risco de contrair a doença", afirmou.
Segundo o UOL, a OMS também emitiu novas diretrizes referentes às vacinas contra a dengue e a meningite, e simplificou suas orientações relacionadas à vacina contra a COVID-19.
A vacina contra a malária R21/Matrix-M, desenvolvida pela Universidade de Oxford e produzida pelo Serum Institute of India, recebeu autorização de uso em Gana, Nigéria e Burkina Faso.
Em 2021, a vacina "RTS,S", fabricada pela grande empresa farmacêutica britânica GSK, tornou-se a primeira a ser recomendada pela OMS para a prevenção da malária em crianças em áreas onde a transmissão da doença é moderada ou alta.
Tedros garantiu que "a demanda para a vacina RTS,S excede de longe a oferta". De acordo com ele R21/Matrix-M é, "uma ferramenta extra essencial para proteger mais crianças, mais rápido, para nos aproximarmos da nossa visão de um futuro sem malária".
Além disso, ambas as vacinas demonstram eficácia comparável, aproximadamente 75%, quando administradas sob as mesmas circunstâncias. Tedros especificou que o custo de uma única dose da nova vacina aprovada varia entre US$2 e US$4, o que equivale a aproximadamente R$10 e R$20.
Nos programas-piloto para a introdução da vacina "RTS,S" em três nações africanas (Gana, Quênia e Malawi), mais de 1,7 milhão de crianças receberam pelo menos uma dose da vacina desde 2019.
A implantação da vacinação contra a malária nestes três países resultou em uma significativa redução de casos graves e fatais da doença, bem como uma diminuição da taxa de mortalidade infantil. De acordo com a agência de saúde, ao ser implementada em grande escala, essa vacina tem o potencial de salvar milhares de vidas a cada ano.
Em julho do ano passado, a OMS, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Aliança Mundial para Vacinas e Imunização (Gavi) anunciaram em conjunto a alocação de 18 milhões de doses da vacina contra a malária para 12 nações africanas, entre os anos de 2023 e 2025.
A malária é resultado da infecção por um pequeno parasita do gênero Plasmodium, que é transmitido através de picadas de mosquitos. Os sintomas incluem febre, dores de cabeça e calafrios, e a doença pode se tornar grave e potencialmente fatal se não for tratada.
Aproximadamente metade da população global reside em regiões de risco para a malária, onde há possibilidade de contrair a doença. A maioria dos casos e óbitos ocorre na África.
A malária ainda continua a ser uma ameaça significativa, especialmente para as crianças na África, em parte devido à crescente resistência aos tratamentos disponíveis. De acordo com dados recentes da OMS, a doença resultou na morte de 619 mil pessoas em todo o mundo durante o ano de 2021.
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