O Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) já recebeu em 2021 mais que o triplo de amostras de bactérias

Redação Publicado em 19/11/2021, às 00h00 - Atualizado às 19h07
O Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) já recebeu em 2021 mais que o triplo de amostras de bactérias resistentes a antibióticos em comparação ao que foi analisado em 2019, último ano antes da pandemia da covid-19. O levantamento foi divulgado hoje (19) pelo instituto, cujos pesquisadores alertam para o risco de maior disseminação da resistência a antibióticos pelo aumento do uso desses medicamentos durante a emergência sanitária.

As amostras de “superbactérias” são enviadas ao laboratório do IOC por outros laboratórios de saúde pública de diversos estados de forma espontânea, já que lá funciona a retaguarda da Sub-rede Analítica de Resistência Microbiana em Serviços de Saúde (Sub-rede RM), instituída pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde (MS). Como unidade de retaguarda, o laboratório atua na análise aprofundada das bactérias resistentes a antibióticos, que são detectadas em casos de infecção hospitalar.
O IOC informa que, em 2019, chegaram ao laboratório pouco mais de mil amostras de bactérias resistentes a antibióticos. Em 2020, esse número chegou a quase 2 mil, e, de janeiro a outubro deste ano, já atingiu 3,7 mil. O instituto ressalta que, enquanto os números oficiais da Anvisa sobre bactérias resistentes para 2020 e 2021 ainda não estão disponíveis, o aumento observado em centros de referência pode ser considerado como um alerta.
Em texto divulgado pelo IOC/FIocruz, a chefe do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar, Ana Paula Assef, explica que houve um aumento no volume de pacientes internados em estado grave e por longos períodos durante a pandemia, o que aumenta o risco de infecções hospitalares.
“Em parte, a alta na prescrição de antibióticos nos hospitais durante a pandemia pode ser justificada pelo maior número de pacientes graves internados, que acabam desenvolvendo infecções secundárias e necessitando desses medicamentos. Porém, o uso excessivo precisa ser controlado para evitar que se impulsione a resistência bacteriana”, alerta a chefe do laboratório.
A pesquisadora disse que pesquisas no Brasil e no exterior sugerem que pode ter ocorrido prescrição exagerada de antibióticos para internados por covid-19. O IOC cita um estudo global publicado em janeiro que aponta um percentual de mais de 70% de pacientes com covid-19 tratados com antibióticos durante a internação, quando se estima que coinfecções bacterianas estejam em apenas 8% dos casos.
Outra preocupação destacada pela chefe do laboratório é o aumento da resistência à polimixina, fármaco considerado a última opção terapêutica para infecções que não respondem aos demais antibióticos. Esse crescimento se deu em três grupos de bactérias frequentes entre os casos de infecções hospitalares: A. baumanii (de 2,5%, em 2019, para 5,6%, em 2021), Pseudomonas aeruginosa (de 14% para 51%), e enterobactérias (de 42% para 58%).
Em agosto, a Anvisa publicou nota técnica com orientações para reduzir a disseminação de bactérias resistentes durante a pandemia da covid-19, destacando que os antibióticos não são indicados no tratamento de rotina da covid-19, já que a doença é causada por vírus e esses medicamentos atuam apenas contra bactérias. Os antibióticos são recomendados apenas para os casos com suspeita de infecção bacteriana associada à infecção viral, recomenda a agência.
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Agencia Brasil
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