Pesquisa publicada na revista científica aponta presença de substâncias como chumbo e arsênio em diferentes marcas, incluindo produtos orgânicos.

Ana Beatriz Publicado em 26/03/2026, às 21h37
Um estudo revelou a presença de metais tóxicos em absorventes internos, incluindo chumbo e arsênio, levantando preocupações sobre a saúde das usuárias. A pesquisa, a primeira do tipo, analisou produtos de diversas marcas nos EUA e na Europa, encontrando contaminação em todas as amostras.
Os resultados mostraram que os absorventes orgânicos apresentaram níveis mais altos de alguns metais em comparação aos convencionais, o que é alarmante, considerando que esses produtos são utilizados internamente e podem permitir uma absorção rápida de substâncias químicas pelo organismo.
O estudo gerou um debate sobre a falta de regulamentação e a necessidade de maior transparência na composição dos produtos de higiene menstrual. Especialistas pedem testes mais rigorosos e atualização das normas, enquanto a orientação atual é que os consumidores sigam recomendações de uso e fiquem atentos a novas pesquisas.
Um estudo científico publicado na revista Environment International acendeu um alerta internacional sobre a segurança de absorventes internos ao identificar a presença de metais potencialmente tóxicos em todos os produtos analisados. A pesquisa, considerada a primeira do tipo, avaliou amostras de diferentes marcas vendidas nos Estados Unidos e na Europa e encontrou 16 tipos de metais, incluindo substâncias como chumbo, arsênio e cádmio.
Os resultados indicam que nenhuma das amostras estava livre desses elementos, o que levanta preocupações sobre a exposição contínua a compostos associados a riscos à saúde. Entre os metais detectados, alguns são considerados especialmente perigosos por não possuírem níveis seguros de exposição, como é o caso do chumbo.
A pesquisa analisou cerca de 30 produtos de 14 marcas diferentes, abrangendo tanto absorventes internos convencionais quanto aqueles rotulados como orgânicos. Um dos pontos que mais chamou atenção foi justamente o desempenho dos produtos orgânicos, que apresentaram, em média, níveis mais elevados de alguns metais, como o arsênio, em comparação com versões tradicionais.
Risco potencial e absorção pelo organismo
Especialistas destacam que o principal fator de preocupação está na forma de uso desses produtos. Diferentemente de outros itens de higiene, os absorventes internos são utilizados dentro do corpo, em contato direto com a mucosa vaginal — uma região altamente sensível e com grande capacidade de absorção.
De acordo com os pesquisadores, essa característica pode permitir que substâncias químicas presentes nos materiais sejam absorvidas mais rapidamente pelo organismo, sem passar por processos de filtragem natural do corpo.
Apesar disso, os próprios autores do estudo ressaltam que ainda não há comprovação de que os metais detectados sejam efetivamente liberados durante o uso ou absorvidos em níveis que causem danos à saúde. Essa lacuna reforça a necessidade de novas pesquisas para avaliar o impacto real da exposição.
Possíveis impactos à saúde
Os metais encontrados estão associados, em diferentes níveis, a uma série de problemas de saúde. Substâncias como chumbo, arsênio e cádmio são conhecidas por afetar múltiplos sistemas do corpo humano.
Entre os possíveis efeitos estão:
Especialistas alertam que, embora os níveis detectados nos produtos sejam considerados baixos, a exposição contínua ao longo da vida pode representar um fator de risco adicional, especialmente considerando o uso recorrente desses itens por milhões de pessoas.
Falta de regulamentação específica
O estudo também reacendeu o debate sobre a regulamentação de produtos de higiene menstrual. Em muitos países, incluindo os Estados Unidos, absorventes internos são classificados como dispositivos médicos, mas não há exigência de divulgação completa da composição química dos materiais.
Pesquisadores e organizações de saúde defendem que os resultados reforçam a necessidade de:
O que dizem especialistas
Apesar da repercussão, especialistas recomendam cautela e evitam alarmismo. Segundo análises independentes, ainda não há evidências conclusivas de que o uso de absorventes internos cause intoxicação por metais, principalmente porque não está comprovado o nível real de absorção dessas substâncias pelo organismo.
A orientação atual é que consumidores sigam as recomendações de uso, como não permanecer com o produto por períodos prolongados, e acompanhem novos estudos sobre o tema.
Debate deve avançar
A descoberta deve impulsionar novas pesquisas e discussões regulatórias em todo o mundo, especialmente diante do uso massivo desses produtos. Estima-se que entre 50% e 80% das pessoas que menstruam utilizam absorventes internos regularmente, o que amplia o impacto potencial das conclusões do estudo.
O caso também reforça a crescente atenção global à segurança de produtos de uso cotidiano e à necessidade de maior transparência na indústria de higiene pessoal.
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