O atraso no diagnóstico eleva custos e morbidade, enquanto a tecnologia aplicada à Atenção Básica permite antecipar o cuidado

por Daniel Gustavo Barbosa
Publicado em 24/01/2026, às 08h00
O câncer de pele é o tipo de câncer mais incidente no Brasil, respondendo por cerca de 30% dos diagnósticos oncológicos. Apesar disso, permanece subpriorizado nas estratégias estruturadas de rastreamento e diagnóstico precoce no Sistema Único de Saúde (SUS). O resultado é um padrão recorrente de diagnósticos tardios, cirurgias mutilantes, redução das chances de cura e elevação expressiva dos custos assistenciais.
A principal falha não está na ausência de conhecimento clínico, mas na estrutura do cuidado. O Brasil não dispõe de indicadores nacionais capazes de demonstrar quantos pacientes com câncer de pele avançado passaram pela Atenção Básica antes de chegar à média ou à alta complexidade. Na prática, a grande maioria dos pacientes ingressa tardiamente no sistema, quando a doença já se encontra em estágio avançado. Trata-se de um atraso sistêmico, não episódico.
Nas Unidades Básicas de Saúde, o enfrentamento do câncer de pele ainda se apoia majoritariamente em ações educativas, insuficientes quando não acompanhadas de triagem qualificada, priorização por risco e apoio à decisão clínica. A ausência de instrumentos tecnológicos integrados à rotina assistencial limita a identificação precoce de casos suspeitos e a organização do acesso ao especialista com base em critérios clínicos, cenário agravado pela escassez de dermatologistas fora dos grandes centros.
Experiências conduzidas pelo Instituto Brasileiro de Saúde e Tecnologia (IBST) demonstram que esse modelo pode ser superado. A aplicação de tecnologia digital, com uso de inteligência artificial como ferramenta de apoio à decisão médica — já empregada na análise de mais de 50 mil casos clínicos por imagem —, associada à captura padronizada de imagens, classificação de risco e reorganização do fluxo assistencial, permite reposicionar a Atenção Básica como porta efetiva do diagnóstico precoce do câncer de pele. Não se trata de substituir o médico, mas de qualificar a tomada de decisão, ampliar a escala e racionalizar o uso dos recursos públicos.
No câncer de pele, o atraso não é apenas um problema clínico. É um problema de gestão, organização e decisão em saúde pública.
Daniel Gustavo Barbosa atua desde 2010 na concepção, liderança e implementação de soluções tecnológicas aplicadas à saúde pública e à gestão estratégica de sistemas de saúde. É diretor fundador do Instituto Brasileiro de Saúde e Tecnologia (IBST).
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