Com eficácia comprovada, a vacina gera anticorpos em 98,8% dos participantes e é um avanço significativo no combate à chikungunya

William Oliveira Publicado em 14/04/2025, às 11h17
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (14), o registro definitivo da vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e autoriza o uso do imunizante em pessoas com mais de 18 anos.
É a primeira vez que uma vacina contra a doença recebe autorização no país. A chikungunya, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti — o mesmo vetor da dengue e zika —, pode causar dores articulares intensas e prolongadas. Em 2024, cerca de 620 mil casos foram registrados no mundo, com destaque para Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia entre os países mais afetados.
Eficácia e segurança
O pedido de registro foi submetido à Anvisa em dezembro de 2023. No mesmo ano, o imunizante já havia recebido aval da agência reguladora norte-americana FDA (Food and Drug Administration).
Estudos clínicos de fase 3, publicados na revista The Lancet Infectious Diseases em setembro de 2024, mostraram que uma única dose foi capaz de gerar anticorpos neutralizantes em 100% dos participantes com infecção anterior e em 98,8% dos que nunca haviam tido contato com o vírus. Seis meses após a aplicação, a proteção se manteve em 99,1% dos adolescentes testados.
Os efeitos colaterais mais comuns foram leves a moderados, como dor de cabeça, cansaço, febre e dores no corpo.
Caminho até o SUS
Apesar da aprovação, a distribuição ainda depende de etapas técnicas e administrativas. O Instituto Butantan está adaptando o imunizante com componentes nacionais, com foco na incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Essas alterações passarão por análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e do Programa Nacional de Imunizações. Segundo Esper Kallás, diretor do Butantan, a estratégia inicial poderá priorizar regiões endêmicas — onde a doença é mais comum.
Entenda a doença
A chikungunya é causada por um vírus transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Embora alguns pacientes não apresentem sintomas, os quadros clínicos mais recorrentes incluem:
O maior desafio está nas sequelas: as dores articulares podem persistir por meses ou até anos, comprometendo a qualidade de vida dos pacientes. Em casos mais graves, pode haver risco de morte.
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