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Bastidores do Poder

Vorcaro assina termo de confidencialidade e inicia negociações para delação no caso Banco Master

Transferido para a sede da Polícia Federal em Brasília, ex-banqueiro dá primeiro passo formal rumo a acordo de colaboração que pode ampliar o alcance das investigações.

Após assinar termo, inicia negociações para delação no caso Banco Master - Imagem: Reprodução
Após assinar termo, inicia negociações para delação no caso Banco Master - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 19/03/2026, às 22h34


Daniel Vorcaro, ex-banqueiro investigado por fraudes no Banco Master, assinou um termo de confidencialidade com a PGR e a Polícia Federal, iniciando negociações para um possível acordo de colaboração premiada, o que pode impactar significativamente as investigações em andamento.

As investigações, que envolvem fraudes financeiras e lavagem de dinheiro, ganharam força após a Operação Compliance Zero, revelando uma estrutura complexa com possíveis ligações a agentes públicos e instituições governamentais.

Vorcaro foi transferido para a superintendência da Polícia Federal para discutir os termos do acordo, e sua nova defesa, especializada em colaborações premiadas, indica uma mudança de estratégia, embora a formalização da delação ainda dependa da efetividade das informações apresentadas.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso das fraudes envolvendo o Banco Master, assinou nesta quinta-feira (19) um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal, marcando o início formal das negociações para um possível acordo de colaboração premiada. A assinatura do documento é considerada uma etapa preliminar essencial para viabilizar tratativas mais avançadas com as autoridades.

No mesmo dia, Vorcaro foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde passou a discutir diretamente os termos de um eventual acordo. A mudança de local reforça a indicação de que as conversas com investigadores ganharam tração, especialmente após decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que mantiveram sua prisão preventiva.

O termo de confidencialidade estabelece regras para o sigilo das informações compartilhadas durante as negociações, protegendo tanto o investigado quanto os órgãos responsáveis pela apuração. A partir desse ponto, Vorcaro poderá apresentar dados, documentos e eventuais relatos que, se considerados relevantes, podem resultar na formalização de uma delação premiada.

A movimentação ocorre em um momento sensível das investigações, que apuram suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e possível articulação com agentes públicos. O caso ganhou maior dimensão após a Operação Compliance Zero, que revelou uma estrutura considerada complexa pelas autoridades, com ramificações em diferentes setores.

Nos bastidores, a expectativa é de que uma eventual colaboração de Vorcaro tenha alto impacto político e institucional, devido à possível citação de nomes ligados aos três poderes. Analistas e integrantes do sistema de Justiça avaliam que o conteúdo de uma delação pode ampliar significativamente o escopo das investigações, dependendo do material apresentado e da comprovação das informações.

A mudança recente na defesa do ex-banqueiro também é vista como parte dessa estratégia. Vorcaro passou a ser representado por um advogado com histórico em acordos de colaboração premiada, sinalizando uma guinada de postura, de enfrentamento jurídico para possível cooperação com as autoridades.

Apesar do avanço nas negociações, a delação ainda não está fechada. O acordo depende de critérios rigorosos, como a efetividade das informações prestadas, a apresentação de provas e a utilidade dos dados para as investigações em curso. Somente após essa etapa, o Ministério Público poderá formalizar os termos e submetê-los à homologação do Judiciário.


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