A oposição critica a proposta, alegando que se trata de um "cheque em branco"

Marina Roveda Publicado em 17/05/2023, às 09h18
A votação da urgência do marco fiscal está agendada para ocorrer na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (17). A decisão de incluir o texto na pauta foi tomada após uma reunião dos líderes de bancada. Caso seja aprovada, a proposta seguirá diretamente para análise no Plenário, evitando a necessidade de passar por comissões. No entanto, alguns pontos do projeto têm sido alvo de questionamentos por diversos parlamentares, que têm feito sugestões para tornar o regime fiscal mais rigoroso do que o apresentado.
Nesta terça-feira, 16, os parlamentares do União Brasil protocolaram um projeto de lei complementar com um texto alternativo, divergindo do relatório de Cláudio Cajado (PP-BA). Entre as diferenças propostas, estão a inclusão de 11 gatilhos que seriam acionados imediatamente caso o governo não cumprisse a meta fiscal, como a proibição de novas renúncias fiscais e a não criação de cargos. Na versão de Cajado, os gatilhos seriam acionados de forma gradual, com sete no primeiro momento e mais três posteriormente. O projeto de lei complementar também propõe um rol mais restrito de exceções ao limite de gastos e a retomada do espírito da lei de responsabilidade fiscal, estabelecendo punições pelo não cumprimento das regras.
A equipe econômica do governo tem acompanhado de perto os pontos incluídos pelo relator Cláudio Cajado. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha concordado com a inclusão dos gatilhos, ele deseja garantir exceções para o reajuste do salário mínimo e o programa Bolsa Família. O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, está avaliando o apoio no Congresso. "Vamos trabalhar para garantir a aprovação com o maior número possível de votos. Precisamos de 257 votos para aprovar", afirmou Padilha.
As sugestões dos parlamentares poderiam ser incorporadas por meio de emendas, mas o relator está buscando formatar um texto consolidado para evitar a necessidade de incorporações, que poderiam atrasar a tramitação.
O líder da minoria, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), declarou que, da forma como o texto do arcabouço fiscal está atualmente, votaria contra o mérito. Ele argumentou que é difícil apoiar um projeto desse tipo, especialmente vindo de um governo que, no passado recente, praticou manobras fiscais. "Um dos itens previstos no arcabouço é o fim da punição para quem praticou manobras, em termos mais claros", afirmou o parlamentar. O deputado Sanderson também acredita que não há necessidade de alterar as regras fiscais atuais e considera que o arcabouço fiscal representa um "cheque em branco" para que o governo gaste sem restrições.
"Já temos na Constituição freios e instrumentos para evitar a gastança irresponsável. Já existem instrumentos. O que eles querem é criar mecanismos para autorizar (os gastos), com possibilidade de perdão ao gestor que ultrapassar os limites. Vou votar contra o requerimento de urgência e, obviamente, votarei contra o mérito do projeto, que tem em imbricado dentro de seu conjunto a tentativa de obter-se um cheque em branco para que o governo possa gastar de forma desmedida”, disse Sanderson.
Leia também

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Moraes dá 48 horas para defesa de Bolsonaro explicar divulgação de carta lida por Flávio nas redes

Frente fria traz garoa e frio intenso para São Paulo nesta semana

Petróleo dispara com nova escalada entre EUA e Irã e mercado teme impactos globais

Propostas do governo Trump para flexibilizar venda de armas preocupam especialistas sobre impacto no tráfico internacional

Ônibus furtado invade imóvel na Cidade Tiradentes e motorista foge após colisão

Falso assalto termina com dois funcionários baleados por policial de folga na Zona Leste de São Paulo

Petróleo dispara com nova escalada entre EUA e Irã e mercado teme impactos globais

Os 5 ataques cibernéticos mais comuns: Como evitar ser a próxima vítima