O relator Floriano de Azevedo Marques ressaltou que os gastos de Moro, embora censuráveis, não justificam cassação, apontando a necessidade de revisar a legislação eleitoral

por Marina Milani
Publicado em 22/05/2024, às 07h44
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) absolveu o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) da acusação de abuso de poder econômico durante a pré-campanha eleitoral de 2022. A decisão, tomada por unanimidade, seguiu o voto do relator da ação, Floriano de Azevedo Marques. Além disso, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná também rejeitou a cassação do mandato de Moro, destacando brechas na legislação eleitoral que impactam o entendimento sobre a pré-campanha e os gastos associados a essa fase.
A acusação, movida pelos partidos PT e PL, alegava que Moro se declarou pré-candidato à Presidência antes do início oficial da campanha, excedeu os limites de gastos permitidos e obteve vantagens sobre seus concorrentes. Durante a pré-campanha, Moro gastou aproximadamente R$ 777 mil, correspondendo a 17,47% do teto permitido para a campanha, valores que foram questionados pela acusação.
No entanto, o relator da ação, Floriano de Azevedo Marques, destacou que, embora alguns dos gastos de Moro possam ser considerados "censuráveis", eles não configuram conduta passível de cassação. Marques ressaltou a necessidade urgente de parâmetros mais claros na legislação eleitoral sobre os gastos de pré-campanha, argumentando que a falta de clareza atual gera insegurança jurídica tanto para os candidatos quanto para os eleitores.
A defesa do senador argumentou que o senador, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-juiz federal, necessitava de segurança e carros blindados devido a ameaças, o que justificaria parte dos gastos. Essa argumentação foi aceita pelo TSE, que reconheceu a necessidade de segurança pessoal como uma questão de necessidade e não de vantagem econômica.
A decisão do TSE foi acompanhada de perto por diversas figuras políticas e pelo público, dada a relevância do caso e o histórico de Moro na política nacional. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, já havia manifestado apoio à absolvição de Moro antes do julgamento, ecoando a opinião do Ministério Público Eleitoral, que também recomendou a absolvição por não identificar desvio de recursos, omissão ou simulação de candidatura.
A decisão do TSE, proferida menos de três semanas antes da saída do ministro Alexandre de Moraes da corte, traz um importante desfecho para o caso, mantendo Sergio Moro no cargo de senador. No entanto, a polêmica sobre sua conduta durante a pré-campanha continua a alimentar debates e discussões no cenário político nacional, evidenciando a necessidade de revisões e aperfeiçoamentos na legislação eleitoral para evitar ambiguidades futuras.
Com a absolvição de Moro, fica claro que a jurisprudência e a legislação atual precisam de ajustes para proporcionar maior segurança jurídica e transparência nos processos eleitorais, especialmente nas fases de pré-campanha.
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