Em ligação de 50 minutos, líderes trataram de economia, Venezuela e cooperação no combate ao crime organizado

Erika Osti Publicado em 26/01/2026, às 14h28
Em uma ligação de cerca de 50 minutos nesta segunda-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram sobre a criação de um novo “Conselho da Paz” para a Faixa de Gaza, a situação na Venezuela, perspectivas econômicas e cooperação em segurança, segundo notas oficiais dos governos. No centro do diálogo, Lula condicionou a participação do Brasil na iniciativa proposta por Trump a duas exigências claras: que o órgão concentre seus esforços sobretudo na questão de Gaza e que preveja um assento para representantes da Palestina, algo que o Planalto vê como essencial para legitimar o processo.
A conversa, acordada entre os dois mandatos em meio à intensa agenda internacional, também abordou indicadores econômicos recentes dos dois países. Segundo o Palácio do Planalto, Trump destacou que o crescimento tanto dos EUA quanto do Brasil é positivo para a região como um todo, e ambos saudaram o relacionamento bilaterial fortalecido nos últimos meses, que resultou na retirada de uma parte significativa das tarifas sobre produtos brasileiros.
No terreno da segurança, Lula reafirmou a importância de ampliar a cooperação com os EUA no combate ao crime organizado, com foco em lavagem de dinheiro, tráfico de armas e intercâmbio de informações financeiras. A proposta, segundo o governo brasileiro, foi bem recebida por Trump durante o telefonema.
Quanto à Venezuela, os dois chefes de Estado trocaram impressões sobre a necessidade de preservar a paz e a estabilidade da região diante de uma crise que tem sido foco de tensões diplomáticas recentes. Embora Lula não tenha dado detalhes sobre uma posição definitiva do Brasil sobre o convite para o Conselho de Paz, os líderes acertaram a realização de uma visita de Lula a Washington após a viagem do presidente brasileiro à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro.
A proposta do Conselho da Paz, apresentada pela Casa Branca como um mecanismo para supervisionar um comitê nacional para a administração de Gaza, ainda gera questionamentos entre atores internacionais e no próprio Brasil. O governo brasileiro segue defendendo uma reforma mais ampla das Nações Unidas, incluindo a ampliação de membros permanentes do Conselho de Segurança, em contraponto a iniciativas que, na visão de Brasília, podem fragmentar a governança multilateral.
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