Governador de São Paulo criticou enredo da Acadêmicos de Niterói e disse que escola “apostou no divisionismo” ao abordar temas políticos na Sapucaí.

Redação Publicado em 20/02/2026, às 10h34
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, criticou o desfile da escola Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula, chamando-o de de péssimo gosto e rebaixando a escola no Carnaval do Rio de Janeiro. A declaração reflete um descontentamento com a abordagem política do enredo, que gerou reações negativas entre os evangélicos e defensores da família.
O desfile, que incluiu críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, resultou em problemas operacionais e notas baixas na apuração, levando ao rebaixamento da escola. Além disso, diversas ações judiciais foram protocoladas questionando o uso de recursos públicos e a natureza do desfile.
O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou pedidos contra Lula e a escola, enquanto a Comissão de Ética Pública recomendou cautela nas manifestações políticas durante o Carnaval. O incidente levanta questões sobre os limites entre arte, política e financiamento público em eventos culturais.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comemorou nesta quinta-feira (19) o rebaixamento da escola Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro.
Durante entrevista coletiva, o governador classificou o desfile como “horroroso, de péssimo nível e péssimo gosto” e afirmou que o enredo foi “infeliz”. A escola havia apresentado o tema “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, homenageando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Tarcísio afirmou que o desfile “apostou no divisionismo” e atacou valores como família e evangélicos. Segundo ele, diversas pessoas se sentiram agredidas com a abordagem.
Enredo e polêmicas
A Acadêmicos de Niterói estreou na elite do Carnaval carioca no domingo (15). O desfile incluiu referências críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado político de Tarcísio.
Entre as alegorias, uma fazia menção direta à condenação de Bolsonaro, sentenciado em setembro a 27 anos e 3 meses de prisão por envolvimento em trama golpista relacionada às eleições de 2022. Outra ala, intitulada “Neoconservadores em Conserva”, trouxe fantasias com latas estampando a expressão “família em conserva”, o que gerou críticas de parlamentares da oposição.
A escola também enfrentou problemas operacionais na dispersão, com alegorias que ficaram presas na saída da avenida. Durante a apuração realizada na quarta-feira (18), a agremiação recebeu apenas duas notas 10 e acabou rebaixada.
Ao fim do desfile, o presidente Lula desceu do camarote para cumprimentar integrantes da escola.
Questionamentos judiciais
Pelo menos dez iniciativas foram protocoladas em diferentes instâncias questionando o desfile ou pedindo a devolução de recursos públicos. As ações tramitaram no Tribunal de Contas da União, na Justiça Federal e na Justiça Eleitoral.
O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou, por unanimidade, pedidos de liminar apresentados contra Lula, o PT e a escola de samba. Já a Comissão de Ética Pública da Presidência recomendou que autoridades evitem manifestações que possam ser interpretadas como propaganda eleitoral antecipada durante o Carnaval.
O episódio amplia o debate sobre os limites entre manifestação artística, política e financiamento público em eventos culturais.
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