Plataforma de Elon Musk foi multada em R$ 5 milhões e suspensa após ignorar determinações da Suprema Corte, mas voltou a operar após regularizar pendências

por Marina Milani
Publicado em 10/10/2024, às 09h31
Na primeira publicação após o desbloqueio do X (antigo Twitter), o Supremo Tribunal Federal (STF) utilizou sua conta oficial na rede social nesta quarta-feira (9) para detalhar o processo que levou à suspensão e posterior retomada das atividades da plataforma no Brasil. Entre maio e agosto de 2024, a empresa, comandada por Elon Musk, descumpriu uma série de ordens judiciais relacionadas à remoção de conteúdo antidemocrático, retirou seu representante legal do país e acumulou multas que não foram pagas.
Em uma sequência de postagens, o STF relembrou a decisão de 18 de agosto, quando o ministro Alexandre de Moraes intimou a empresa a regularizar três questões essenciais: a remoção de conteúdos considerados antidemocráticos, o pagamento das multas aplicadas por descumprimento de decisões judiciais e a nomeação de um novo representante legal no Brasil. A decisão incluía ainda a autorização para bloqueio de contas e a apreensão de bens da plataforma para garantir o cumprimento dessas medidas.
A situação se agravou em 28 de agosto, quando o STF deu um ultimato ao X, concedendo um prazo de 24 horas para a nomeação de um representante legal no país. Sem resposta por parte da empresa, em 30 de agosto, o ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão das atividades da rede social no Brasil. A decisão foi confirmada posteriormente pela Primeira Turma da Corte.
Outro ponto de tensão ocorreu em 19 de setembro, quando uma manobra técnica permitiu que usuários no Brasil acessassem a plataforma utilizando IPs dinâmicos. Isso foi interpretado como uma tentativa de burlar a decisão judicial. Como consequência, o STF aplicou uma multa adicional de R$ 5 milhões e determinou o bloqueio da Cloudflare, o serviço responsável por fornecer os IPs dinâmicos.
A situação começou a ser resolvida em 20 de setembro, quando o X comunicou oficialmente a nomeação da advogada Rachel de Oliveira Villa Nova como sua nova representante legal no Brasil. No dia seguinte, o ministro Moraes deu um prazo de cinco dias para que a documentação necessária fosse apresentada, além de reiterar que o retorno das atividades da plataforma dependia do pagamento integral das multas.
O processo de regularização foi concluído somente após o cumprimento de duas exigências principais: o bloqueio de perfis específicos indicados pela Justiça e a nomeação de um representante legal. A empresa, inicialmente, realizou o pagamento das multas em uma conta incorreta, o que atrasou a resolução. Após a correção e o parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), o STF autorizou a volta da plataforma no país.
Com a retomada das atividades, o Supremo Tribunal Federal reforçou seu compromisso com a aplicação rigorosa da legislação, deixando claro que empresas que operam no Brasil devem seguir as leis e decisões judiciais, especialmente quando envolvem questões sensíveis como a disseminação de conteúdo antidemocrático.
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