A mudança vai além da simplificação de siglas. Ela altera a forma como pagamos tributo e como vemos os preços nas gôndolas

Jair Viana Publicado em 12/01/2026, às 19h04
Após anos de debates, a Reforma Tributária começaram a sair do papel logo no início do governo Lula 3 e promete mudar a relação do cidadão comum com os impostos. Com regras sendo testadas desde 2024 e uma implementação gradual, a proposta vai muito além da simplificação de siglas. Ela altera a forma como pagamos tributos, como vemos os preços nas prateleiras e até o quanto sobra no salário no fim do mês. Mas, na prática, o que muda para você?
A principal mudança estrutural é a unificação de cinco impostos complexos em apenas dois: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, que substitui PIS, Cofins e IPI; e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), estadual e municipal, que substitui ICMS e ISS. O objetivo é reduzir a burocracia para empresas, o que, em tese, pode baratear custos e estimular a economia. Para o consumidor, a mudança mais perceptível é na transparência. Os novos impostos serão cobrados "por fora", como já acontece hoje com alguns produtos. O valor exato pago de CBS e IBS virá discriminado na nota fiscal, eliminando o imposto "embutido" e mostrando claramente quanto de tributo está sendo arrecadado em cada compra.
A reforma busca neutralidade: a ideia é ter uma alíquota padrão única para a maioria dos produtos e serviços, evitando que a carga tributária influencie demais as escolhas de consumo. No entanto, setores como cultura, esporte e produtos agropecuários terão alíquotas reduzidas ou mesmo isenção, o que pode baratear itens essenciais e atividades culturais. A grande promessa é que, com um sistema menos complexo, os preços finais reflitam mais a eficiência do mercado e menos a guerra fiscal entre estados, podendo levar a uma redução de custos no longo prazo. A mudança é gradual.
Paralelamente à reforma do consumo, a reforma do Imposto de Renda da Pessoa Física (sancionada em 2025) traz um alívio imediato para a base da pirâmide e aumenta a tributação no topo. A faixa de isenção sobe para quem ganha até R$ 5.000 por mês, tirando milhões de brasileiros da malha fina. Quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 terá uma redução gradual no imposto devido. Já quem tem rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil passará a pagar um imposto mínimo progressivo, que pode chegar a 10%. Essa mudança visa equilibrar a carga tributária, desonerando a classe média baixa e aumentando a contribuição dos mais ricos.
As novas regras não estão valendo plenamente. Desde 2026, empresas selecionadas estão na fase de testes, emitindo notas com as novas siglas (IBS e CBS), mas sem a cobrança efetiva. A implementação completa será gradual ao longo dos próximos anos, dando tempo para adaptação do setor produtivo e do Fisco.
Especialistas apontam que o sucesso da reforma para o cidadão comum será medido por dois fatores: se a simplificação de fato se traduzirá em preços mais baixos e se a transparência vai criar uma consciência tributária mais clara na população. A combinação com a reforma do IR é vista como um passo positivo para a justiça fiscal. Agora, resta acompanhar se a teoria da simplificação e da neutralidade vai resultar em mais dinheiro no bolso do brasileiro no dia a dia.
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