Corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell defendeu remuneração maior para magistrados e afirmou que já julgou mais de 130 mil processos ao longo de sua trajetória no Superior Tribunal de Justiça.

Ana Beatriz Publicado em 05/06/2026, às 20h39
O corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, afirmou que sua remuneração não condiz com o volume de trabalho no STJ, gerando polêmica sobre os altos salários no Judiciário durante um evento em Lisboa.
Campbell revelou ter julgado mais de 130 mil processos em 18 anos, recebendo cerca de R$ 141 mil líquidos em abril de 2026, valores que superam o teto constitucional de R$ 46.366,19 devido a indenizações e vantagens pessoais.
Embora defenda uma remuneração proporcional à produtividade, o ministro se opõe a pagamentos abusivos e a declaração intensifica o debate sobre a transparência e os gastos do Judiciário em um contexto de pressão sobre as contas públicas.
O corregedor nacional de Justiça e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell Marques, gerou forte repercussão ao afirmar que sua remuneração não é compatível com a quantidade de trabalho desempenhada ao longo de sua carreira na magistratura. A declaração foi feita nesta quinta-feira, 4 de junho, durante entrevista concedida ao canal STF em Foco, durante o Fórum de Lisboa, evento jurídico realizado em Portugal e que reúne autoridades brasileiras dos Três Poderes.
Ao comentar a discussão sobre remuneração no Judiciário, Campbell afirmou que considera seus vencimentos insuficientes diante do volume de processos julgados no STJ ao longo dos últimos anos.
"Eu não tenho a remuneração à altura dos milhares de processos que eu julgo no Superior Tribunal de Justiça", declarou o ministro. Segundo ele, nenhum magistrado de outros países teria alcançado números semelhantes em volume de decisões judiciais. Campbell afirmou ainda que já ultrapassou a marca de 130 mil recursos julgados durante seus 18 anos de atuação na Corte.
A fala rapidamente repercutiu nas redes sociais e reacendeu o debate sobre os chamados supersalários do serviço público, especialmente no Poder Judiciário.
Dados disponíveis no Portal da Transparência do STJ mostram que Mauro Campbell recebeu aproximadamente R$ 141 mil líquidos em abril de 2026. Nos meses anteriores, os valores também foram elevados, alcançando cerca de R$ 122 mil em março e R$ 127 mil em fevereiro. Os pagamentos incluem não apenas o subsídio mensal de ministro da Corte, mas também indenizações, vantagens pessoais, direitos acumulados e outros créditos previstos na legislação.
Os valores recebidos pelo magistrado superam o teto constitucional do funcionalismo público, atualmente fixado em R$ 46.366,19, correspondente ao subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Contudo, parte dos benefícios e verbas indenizatórias não está sujeita ao limite constitucional, o que permite que a remuneração final ultrapasse significativamente esse valor.
Durante a entrevista, Campbell também comentou a recente decisão do Supremo Tribunal Federal que estabeleceu limites para pagamentos adicionais a magistrados e integrantes do Ministério Público. Embora tenha defendido maior remuneração baseada na produtividade, o ministro afirmou ser contrário a pagamentos considerados abusivos e sem justificativa legal.
A declaração ocorre em um momento de crescente debate público sobre gastos do Judiciário, transparência nos vencimentos de autoridades e mecanismos de controle sobre benefícios concedidos a integrantes das carreiras jurídicas.
Enquanto defensores da magistratura argumentam que a complexidade das funções e o elevado volume processual justificam remunerações diferenciadas, críticos apontam que os valores pagos a membros dos tribunais superiores já figuram entre os mais altos do funcionalismo brasileiro e estão muito acima da renda média da população.
A fala do corregedor nacional de Justiça adiciona um novo capítulo a uma discussão que envolve produtividade, valorização da magistratura, teto constitucional e os limites dos gastos públicos em um cenário de constante pressão sobre as contas do Estado.
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