Diário de São Paulo
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CASO MASTER

Receita aponta repasses do Banco Master a ONG ligada a ex-ministra; entidade nega recursos

Dados enviados ao Senado indicam transferências de quase meio milhão de reais, mas presidente do instituto afirma que valores nunca foram recebidos

Flávia Peres nega que ONG tenha recebido recursos do Banco Master, apesar de registros da Receita Federal - Imagem: Reprodução
Flávia Peres nega que ONG tenha recebido recursos do Banco Master, apesar de registros da Receita Federal - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 10/04/2026, às 09h48


O Banco Master está sob investigação devido a repasses de R$ 457,2 mil ao Instituto Terra Firme, ONG presidida pela ex-ministra Flávia Peres, que nega qualquer vínculo financeiro com a instituição. As informações foram enviadas à CPI do Crime Organizado no Senado, aumentando a pressão sobre a relação entre o banco e figuras políticas.

Além dos repasses à ONG, o banco transferiu R$ 264 milhões à empresa Terra Firme da Bahia Ltda, ligada ao marido de Flávia Peres, que é considerado um elemento central nas operações de crédito consignado. O Instituto Terra Firme, fundado em 2023, visa combater a pobreza e as desigualdades sociais, mas sua relação com o banco gera dúvidas sobre a transparência das operações.

As investigações sobre o Banco Master incluem suspeitas de fraudes financeiras e manipulação de ativos, e a confirmação dos repasses pode influenciar a responsabilização dos envolvidos. Especialistas alertam que a discrepância entre os dados oficiais e as declarações da ONG pode indicar inconsistências nos registros financeiros.

Novos desdobramentos envolvendo o Banco Master colocam sob investigação a relação entre a instituição financeira e organizações ligadas a figuras políticas. Dados da Receita Federal do Brasil indicam que o banco declarou repasses de R$ 457,2 mil ao Instituto Terra Firme, ONG presidida pela ex-ministra Flávia Peres.

As informações foram encaminhadas à CPI do Crime Organizado no Senado e revelam movimentações financeiras registradas nos últimos dois anos. No entanto, Flávia Peres nega qualquer vínculo financeiro com o banco.

“Não há qualquer relação financeira que envolva repasses, dependência econômica ou subordinação entre as instituições”, afirmou a ex-ministra em nota.

O caso ganha maior complexidade devido à ligação familiar e empresarial com o setor financeiro. Flávia é casada com o empresário Augusto Lima, que já ocupou o cargo de CEO do Banco Master e foi sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, figura central nas investigações sobre a instituição.

Além dos valores declarados à ONG, os dados da Receita apontam que o banco transferiu cerca de R$ 264 milhões, entre 2022 e 2025, à empresa Terra Firme da Bahia Ltda, ligada a Augusto Lima. A companhia atua como correspondente bancária e é considerada peça-chave na operação do Credcesta, modelo de crédito consignado voltado a servidores públicos.

Fundado em 2023, o Instituto Terra Firme tem como proposta atuar no combate à pobreza e às desigualdades sociais. O lançamento da entidade contou com a presença de autoridades políticas e empresariais, reforçando sua relevância institucional.

Apesar disso, a divergência entre os dados oficiais e a versão apresentada pela ONG levanta questionamentos sobre a natureza das operações e a eventual existência de inconsistências nos registros.

O caso ocorre em meio a uma série de investigações envolvendo o Banco Master, que já é alvo de apurações sobre supostas fraudes financeiras, manipulação de ativos e irregularidades em operações de crédito.

Especialistas avaliam que a confirmação ou não dos repasses poderá ter impacto significativo tanto nas investigações em curso quanto na responsabilização de eventuais envolvidos.


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