Com uma carreira política sólida, Ramuth é visto como um potencial sucessor de Tarcísio, especialmente se o governador se candidatar à presidência

por Marina Milani
Publicado em 25/12/2025, às 13h42
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), entra de férias nesta quinta-feira (26/12) e só retorna ao cargo em 11 de janeiro. Nesse período, quem senta na cadeira do Palácio dos Bandeirantes é o vice, Felício Ramuth (PSD). Serão 17 dias no comando do estado.
Aos 57 anos, Ramuth tem trajetória política marcada pela passagem de quase três décadas no PSDB, onde foi considerado um aliado histórico de Geraldo Alckmin — à época, um dos principais nomes do partido. Prefeito de São José dos Campos por dois mandatos (2017-2022), deixou o cargo antes do fim para tentar disputar o governo paulista, mas acabou indicado por Gilberto Kassab, líder do PSD, como vice na chapa de Tarcísio.
No governo atual, mantém perfil discreto, mas atua em áreas estratégicas, como o combate à Cracolândia, no Centro da capital, e na agenda de privatizações e concessões, onde preside o Conselho Estadual de Desestatização.
Com a possibilidade de Tarcísio disputar a Presidência da República, Ramuth é visto como um dos nomes naturais para uma eventual sucessão no governo paulista. Se o governador se lançar candidato, a legislação exigirá sua saída do cargo, e Ramuth assumiria o comando do estado meses antes das eleições — o que é considerado um trunfo político.
O caminho, porém, não é simples. Além de disputar espaço com aliados de Tarcísio, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Ramuth pode enfrentar concorrência dentro e fora do próprio PSD. O MDB de Ricardo Nunes e o PL de André do Prado, presidente da Alesp, também observam o movimento.
Ramuth estudou Administração, tem MBA em Gestão Pública pela FGV e iniciou a carreira como empresário, assumindo aos 17 anos a loja da família. Na juventude, teve passagem pela vida artística: estudou teatro com o ator Caco Ciocler e chegou a atuar em peça teatral.
De origem judaica, frequentou a Sociedade Hebraica, em São Paulo, onde participou de dança folclórica israelita e chegou a estudar marcações de balé.
Em 2017, o Ministério Público abriu investigação sobre supostas irregularidades em licitações na cidade de Praia Grande envolvendo duas empresas, uma delas ligada ao vice-governador. Ramuth nega participação em fraudes e, na época, afirmou que sua atuação se limitava à empresa que administrava, sem envolvimento direto nas contratações. O caso não impediu sua candidatura e trajetória política.
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