Lincoln Gakiya detalhou o plano da facção criminosa contra ele e o ex-juiz

Mateus Omena Publicado em 23/03/2023, às 11h17
O senador Sérgio Moro (União Brasil) se tornou alvo do Primeiro Comando da Capital (PCC) após proibir visitas íntimas aos presos no sistema penitenciário federal. A motivação da facção foi apresentada pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya.
“Moro é alvo destes criminosos por conta da portaria que ele baixou proibindo as visitas íntimas no sistema penitenciário federal. Isso realmente desagradou esses criminosos, não só do PCC, mas de todas as facções”, disse Gakiya.
Tanto Moro, quanto Gakiya também eram alvos de um plano traçado por facções criminosas para atacar servidores públicos e autoridades e frustrado pela Polícia Federal. O ex-juiz foi apelidado por “Tóquio”, enquanto o promotor era chamado de “Frango japonês”.
Em conversa com o portal UOL, o promotor Lincoln Gakiya detalhou o plano dos criminosos e repudiou o uso político da operação policial por conta da repercussão da fala do presidente Lula (PT) de "F... esse Moro" enquanto esteve preso em Curitiba.
“Embora o plano em si tenha sido descoberto em janeiro deste ano, os documentos e informações das investigações dão conta de que o plano está em andamento desde agosto de 2022, portanto no governo anterior. Não há motivo para dizer que foi algo engendrado pelo governo atual ou algo parecido. Infelizmente, estão fazendo uso político de uma operação de sucesso."
Segundo Gakiya, o ataque a autoridades orquestrado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) era um 'plano B'. A primeira opção dos criminosos era resgatar Marcola, líder da facção.
“O plano não era só contra Sergio Moro e a mim. Em 2019, o PCC já havia determinado que a prioridade era tentar o resgate do Marcola. Eles determinaram isso como 'plano A' e o denominaram com 'STF'. O 'plano B' era o 'STJ'. Se o resgate do Marcola não tivesse sucesso, era para desencadear o 'plano B', que eram ataques a agentes públicos e sequestro de autoridades para forçar o governo a devolver Marcola para o sistema penitenciário paulista."
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