Antônio Cláudio Alves Ferreira foi preso em Goiás após decisão do STF sobre sua recaptura por vandalismo em Brasília

Redação Publicado em 21/06/2025, às 08h45
Em uma operação conjunta que contou com o apoio de forças policiais locais e da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais, a Polícia Federal (PF) prendeu Antônio Cláudio Alves Ferreira nesta sexta-feira (20). O homem é acusado de vandalizar o relógio histórico de Dom João VI durante os tumultos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A prisão aconteceu em Catalão, no interior de Goiás.
Durante a ação, um parente de Antônio que estava foragido também foi detido, segundo fontes da corporação. A captura de Antônio ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que, na quinta-feira (19), determinou que ele deveria retornar imediatamente ao sistema prisional.
Crítica do STF
O ministro Alexandre de Moraes criticou duramente a atuação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), que, em sua avaliação, agiu além de sua jurisdição ao liberar Antônio antes do prazo legal de cumprimento da pena. "O réu é primário e foi condenado por delitos cometidos com violência e grave ameaça, portanto, sua transferência para um regime semiaberto deveria ser autorizada apenas por esta Suprema Corte após o cumprimento mínimo de 25% da pena", enfatizou Moraes em seu mandado de prisão.
Além de determinar a recaptura, o ministro Moraes ordenou a investigação das ações do juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, responsável pela decisão que havia concedido a liberdade a Antônio. Moraes ressaltou que o juiz não possuía autoridade para tomar tal medida, exceto para emitir atestados sobre a pena.
O TJ-MG havia concedido um alvará de soltura a Antônio Ferreira em 16 de janeiro, entendendo que ele já poderia progredir para o regime semiaberto. Na ocasião, o juiz justificou que a liberação ocorreria sem tornozeleira eletrônica devido à falta desse equipamento no estado. Até aquele momento, Antônio havia cumprido cerca de um ano e meio de sua condenação. "Diante da lentidão do sistema estatal, determino o cumprimento imediato do alvará de soltura sem o uso da tornozeleira, devendo a unidade prisional incluir o reeducando na lista para recebimento do equipamento assim que disponível", havia declarado o juiz.
O Relógio Histórico
O relógio danificado durante os eventos de janeiro é uma peça de valor inestimável e grande significado histórico. Criado por Balthazar Martinot, ele foi um presente da Corte Francesa a Dom João VI e faz parte do acervo da Presidência da República.
O ato destrutivo cometido por Antônio foi registrado em vídeo durante a invasão ao Palácio do Planalto, em Brasília. Ele foi preso pela Polícia Federal em 23 de janeiro de 2023, em Uberlândia, e, posteriormente, condenado pelo STF a 17 anos de reclusão. Recentemente, no início deste ano, o Palácio do Planalto anunciou que o relógio havia sido restaurado após um processo de reparo minucioso realizado na Suíça, recuperando sua beleza e valor histórico.
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