Decisão de Moraes suspende visitas por 90 dias e impacta diretamente a atuação do ex-presidente junto a aliados

Letícia Sales Publicado em 25/03/2026, às 09h58
A autorização para que o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpra prisão domiciliar trouxe efeitos imediatos para além do âmbito jurídico: a medida limita sua articulação política justamente no início da corrida eleitoral deste ano.
A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a suspensão de visitas por 90 dias. Apenas familiares, advogados e médicos estão autorizados a manter contato presencial com o ex-presidente.
Segundo Moraes, a restrição busca preservar a recuperação de Bolsonaro, que enfrenta um quadro recente de pneumonia nos dois pulmões. O ministro destacou que o prazo segue recomendações médicas relacionadas à recuperação de idosos, incluindo a necessidade de um ambiente controlado para evitar infecções e complicações.
O período de isolamento coincide com momentos estratégicos do calendário político, como a janela partidária — quando políticos podem trocar de legenda — e a fase de desincompatibilização de pré-candidatos. Sem contato direto com aliados, Bolsonaro perde protagonismo nas negociações e articulações iniciais para as eleições.
Antes da decisão, o ex-presidente mantinha uma agenda intensa de encontros, recebendo parlamentares, governadores e lideranças políticas tanto em sua residência quanto em unidades da Polícia Federal. Nessas reuniões, discutia filiações, definia estratégias eleitorais e participava da construção de candidaturas.
Com a nova restrição, a interlocução política deve ser feita principalmente por seus filhos, como o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro, além de Jair Renan Bolsonaro, que seguem autorizados a visitá-lo em dias e horários limitados.
A decisão também reforça o isolamento de Bolsonaro em meio às investigações que resultaram em sua condenação, incluindo apurações sobre tentativa de golpe de Estado. O cenário impõe novos desafios ao grupo político ligado ao ex-presidente, que terá de reorganizar sua estratégia eleitoral sem sua presença direta nos bastidores nos próximos meses.
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