Renan Santos defende transformar a capital fluminense em uma “cidade-estado”, com autonomia administrativa, controle de segurança e apoio das Forças Armadas para combater o crime organizado.

Ana Beatriz Publicado em 02/04/2026, às 07h47
Renan Santos, pré-candidato à Presidência, propôs a separação do Rio de Janeiro do Brasil e a recriação do estado da Guanabara, visando maior autonomia e eficiência na gestão local. A declaração gerou ampla repercussão nas redes sociais e no meio político.
Santos argumenta que a perda do status de capital federal resultou em decadência econômica e social no Rio, citando problemas como violência, corrupção e a saída de profissionais qualificados. Ele acredita que a nova estrutura permitiria implementar políticas públicas mais eficazes, especialmente em urbanização e segurança.
A proposta enfrenta desafios jurídicos, pois requer mudanças na Constituição e aprovação do Congresso, além de um plebiscito. Especialistas alertam para as implicações fiscais e a necessidade de um debate político aprofundado sobre a reorganização federativa.
O pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), afirmou que pretende “separar o Rio de Janeiro do Brasil” caso seja eleito, propondo a recriação do antigo estado da Guanabara. A declaração foi feita em tom enfático e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e no meio político.
A proposta prevê transformar o município do Rio de Janeiro em uma espécie de cidade-estado, com autonomia sobre orçamento, políticas públicas e segurança. Segundo o pré-candidato, o modelo permitiria uma gestão mais eficiente e focada nos problemas locais, sem a interferência da atual estrutura estadual.
“Eu vou separar o Rio de Janeiro do Brasil. E adivinha, carioca, isso é uma boa notícia”, afirmou. Ele também declarou que pretende extinguir o atual estado fluminense, reorganizando a estrutura administrativa a partir da capital.
A ideia remete ao antigo estado da Guanabara, que existiu entre 1960 e 1975, período em que a cidade do Rio de Janeiro deixou de ser capital federal, com a transferência para Brasília, e passou a ter status de unidade federativa própria. A Guanabara foi posteriormente incorporada ao atual estado do Rio de Janeiro após fusão com o antigo estado do Rio.
Renan Santos argumenta que, desde a perda do status de capital, o Rio entrou em um processo de decadência econômica, social e institucional. Entre os problemas citados estão o avanço da violência, a atuação do crime organizado, a corrupção política e a perda de protagonismo econômico e cultural.
Ele também mencionou a saída de profissionais qualificados da cidade, fenômeno conhecido como “brain drain”, além da redução de investimentos e da deterioração de indicadores urbanos. Segundo o pré-candidato, a criação de um novo estado permitiria implementar políticas públicas mais agressivas, incluindo programas de reestruturação urbana e combate à favelização.
No campo da segurança pública, a proposta inclui o uso das Forças Armadas como apoio direto no enfrentamento ao crime organizado. “Vou colocar as Forças Armadas como instrumentos auxiliares para a reconquista da cidade do Rio de Janeiro”, afirmou.
Viabilidade jurídica e debate político
Especialistas apontam que uma medida como essa exigiria mudanças profundas na Constituição Federal. A criação de um novo estado depende de aprovação do Congresso Nacional e de consulta direta à população por meio de plebiscito, conforme prevê a legislação brasileira.
Além disso, a proposta levanta questionamentos sobre impactos fiscais, divisão de receitas, redistribuição de competências e possíveis efeitos sobre municípios vizinhos e a economia regional.
No cenário político, a ideia tende a gerar forte debate, tanto por seu caráter estrutural quanto pelo impacto simbólico de alterar a organização federativa do país.
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