Relatórios da Operação Compliance Zero enviados ao STF citam pagamentos mensais a empresas ligadas à família do senador Ciro Nogueira e descrevem a atuação de um grupo que teria sido utilizado para pressionar e monitorar desafetos do empresário.

Ana Beatriz Publicado em 17/06/2026, às 10h26
A Polícia Federal investiga o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, com novos documentos sob análise do STF. As investigações revelam pagamentos mensais a empresas ligadas ao senador Ciro Nogueira entre 2024 e 2025, levantando questões sobre contrapartidas indevidas.
Relatórios indicam que os pagamentos iniciais de R$ 300 mil mensais aumentaram para R$ 500 mil, enquanto a PF investiga a natureza desses repasses e a existência de um núcleo paralelo que monitorava e intimidava adversários de Vorcaro. A Operação Compliance Zero busca esclarecer uma série de irregularidades financeiras e operacionais no Banco Master.
Os investigadores continuam a analisar contratos e transferências bancárias para identificar uma possível estrutura criminosa. As apurações ainda estão em andamento, e os envolvidos têm direito ao contraditório e à ampla defesa, aguardando decisões do Ministério Público e do Judiciário.
A Polícia Federal identificou novos elementos na investigação que apura a atuação do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Os documentos fazem parte da Operação Compliance Zero e estão sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramitam apurações sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
De acordo com os relatórios produzidos pela PF, Vorcaro teria autorizado uma série de pagamentos mensais destinados a empresas ligadas à família do senador Ciro Nogueira (PP-PI). As transferências teriam ocorrido entre junho de 2024 e agosto de 2025.
Mensagens obtidas pelos investigadores apontam para negociações envolvendo uma parceria comercial entre a BRGD, empresa vinculada à família Vorcaro, e a CNLF, ligada à família do senador. Segundo a Polícia Federal, os valores inicialmente giravam em torno de R$ 300 mil mensais e posteriormente teriam alcançado R$ 500 mil por mês.
Os investigadores buscam esclarecer a natureza dos pagamentos e se houve contrapartidas indevidas relacionadas à atuação política ou institucional. Até o momento, a investigação segue em andamento e não há decisão judicial definitiva sobre os fatos apontados nos relatórios.
Além da linha de investigação envolvendo os repasses financeiros, a Polícia Federal também descreve a existência de um núcleo paralelo que teria sido utilizado para monitorar, intimidar e pressionar pessoas consideradas adversárias de Vorcaro. O grupo é citado em documentos da Operação Compliance Zero e aparece em diferentes frentes da apuração.
Segundo a PF, integrantes desse núcleo teriam atuado na coleta de informações sobre desafetos do empresário, bem como em ações destinadas a influenciar ou constranger pessoas consideradas obstáculos aos interesses do grupo investigado.
A Operação Compliance Zero foi deflagrada para apurar um amplo conjunto de suspeitas relacionadas ao Banco Master. Entre as acusações investigadas estão gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e irregularidades em operações financeiras bilionárias. As investigações tiveram início após órgãos de controle identificarem movimentações consideradas incompatíveis com os padrões exigidos pelo Sistema Financeiro Nacional.
Os documentos encaminhados ao STF apontam que os investigadores continuam analisando contratos, transferências bancárias, mensagens e registros eletrônicos para determinar a eventual existência de uma estrutura organizada destinada à prática de crimes financeiros e à obtenção de vantagens indevidas.
Os citados nas investigações têm direito ao contraditório e à ampla defesa. As apurações seguem em curso e os fatos ainda dependem de análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.
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