Perícia revela assinatura falsa em atestado que incriminava Guilherme Boulos em uso de cocaína

Sabrina Oliveira Publicado em 06/10/2024, às 11h15
A Polícia Técnico-Científica de São Paulo confirmou, após uma análise detalhada, que o atestado médico divulgado por Pablo Marçal, membro do PRTB, é uma falsificação. O documento, que alegava falsamente o uso de cocaína por Guilherme Boulos, representante do PSol, foi compartilhado nas redes sociais do influenciador, provocando grande repercussão e levando as autoridades a uma rápida investigação.
No último sábado, peritos do Instituto de Criminalística concluíram que a assinatura atribuída ao médico José Roberto de Souza, presente no atestado, não tem autenticidade. O relatório, elaborado pelos especialistas Nicia Harumi Koga, Marina Milanello do Amaral Pais e Raphael Parisotto, destacou que a assinatura não corresponde graficamente aos documentos autênticos assinados pelo médico, que faleceu em 2022.
A perícia foi realizada após a abertura de uma investigação formal pelo 89º Distrito Policial, no Morumbi, a pedido de Guilherme Boulos, que registrou um boletim de ocorrência sobre o caso. O delegado Emiliano da Silva Chaves Neto solicitou que a perícia focasse em verificar a autenticidade das assinaturas contidas no atestado, dado o impacto que a acusação causou no período eleitoral.
Os peritos descobriram diversas irregularidades na assinatura. Uma das mais evidentes foi a diferença na velocidade de execução da assinatura falsa, que se mostrou significativamente mais lenta do que a assinatura original do médico. Além disso, outras discrepâncias foram encontradas em características como a inclinação e a fluidez da escrita. Esses detalhes confirmaram que a assinatura no documento era uma falsificação grosseira.
Marçal, que utilizou o documento em suas redes sociais para atacar Boulos, agora será alvo de novas investigações. A Polícia Federal também foi acionada e, na próxima semana, deve iniciar um inquérito para apurar a origem e os responsáveis pela falsificação. As diligências já estão agendadas para começar após o primeiro turno das eleições, e outras pessoas envolvidas no caso também devem ser ouvidas.
Além de Marçal, a filha do médico José Roberto de Souza, cuja assinatura foi falsificada, prestará depoimento. Ela já declarou publicamente que seu pai jamais trabalhou na clínica "Mais Consultas", mencionada no atestado falso, e reforçou que ele faleceu em 2022, tornando impossível sua participação em qualquer ação relacionada ao documento.
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