Relator deve apresentar novo texto da proposta que prevê dois dias de descanso semanal sem redução salarial e regras de transição para empresas.

Ana Beatriz Publicado em 16/05/2026, às 17h57
A Câmara dos Deputados se prepara para discutir uma Proposta de Emenda à Constituição que visa abolir a escala de trabalho 6×1, com a apresentação do texto substitutivo prevista para esta segunda-feira, 18, pelo relator Leo Prates.
A proposta sugere uma jornada semanal de 40 horas, com limite diário de oito horas e dois dias de descanso, buscando garantir que não haja redução salarial para os trabalhadores, em meio a pressões de sindicatos e empresas sobre os impactos da mudança.
Leo Prates se reunirá com o presidente da Câmara e representantes do governo para definir regras de transição, com um período de adaptação de dois a cinco anos, além de mecanismos de punição para empresas que não cumprirem as novas normas, enquanto o governo acredita que a redução da jornada pode beneficiar o mercado de trabalho.
A Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 entra em uma semana considerada decisiva na Câmara dos Deputados. O relator da medida, Leo Prates (Republicanos-BA), deve apresentar nesta segunda feira (18) a primeira versão do texto substitutivo da proposta, que pretende alterar a jornada semanal de trabalho no Brasil.
A discussão ocorre em meio à pressão de trabalhadores, sindicatos e setores empresariais sobre os impactos econômicos e sociais da mudança. Atualmente, a Constituição permite jornadas de até 44 horas semanais, modelo que sustenta a tradicional escala 6×1, em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e descansa apenas um.
A nova PEC pretende estabelecer um teto de 40 horas semanais, limitando a jornada diária a oito horas e garantindo dois dias de descanso por semana. Um dos principais pontos defendidos pelo relator é que a mudança não provoque redução salarial para os trabalhadores.
Para discutir os detalhes finais do texto, Leo Prates terá uma reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), além de representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O principal foco da negociação será definir as regras de transição para adaptação das empresas à nova jornada.
Segundo interlocutores ligados ao relator, o texto deverá prever um período gradual de adaptação entre dois e cinco anos. A ideia é permitir que empresas ajustem contratos, escalas e estruturas operacionais sem impactos imediatos bruscos.
O entorno de Leo Prates também defende a criação de mecanismos de punição para empresas que descumprirem as novas regras constitucionais. Entre as medidas estudadas está a retirada de benefícios ou regras especiais de transição para empregadores que não aderirem ao novo modelo.
Já integrantes do governo federal avaliam que a redução de quatro horas na jornada atual poderá ser absorvida pelo mercado de trabalho sem grandes impactos econômicos. O Planalto argumenta que a mudança pode estimular geração de empregos, aumento de produtividade e melhora na qualidade de vida dos trabalhadores.
De acordo com o cronograma definido pelo relator, o texto será lido oficialmente na comissão especial da Câmara na quinta feira (21). Após a leitura, será aberto prazo de vista coletiva até o dia 26 de maio. A expectativa é que a proposta seja votada pelo colegiado ainda no mesmo dia e, em seguida, encaminhada para análise do plenário da Câmara já no dia seguinte.
A PEC do fim da escala 6×1 ganhou força nas redes sociais e em debates públicos nos últimos meses, impulsionada principalmente por trabalhadores que defendem jornadas mais equilibradas e melhores condições de descanso. Por outro lado, entidades empresariais demonstram preocupação com possíveis impactos sobre custos operacionais, produtividade e contratação de mão de obra.
Caso seja aprovada na Câmara e no Senado, a proposta representará uma das maiores mudanças nas regras trabalhistas brasileiras das últimas décadas.
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