Em conversas de bastidores intensificadas após visita conjunta com o presidente Lula a Minas Gerais, o senador deixou claro que só oficializa a disputa se a legenda escolhida mantiver neutralidade ou apoio ao governo federal, rejeitando siglas que componham a base de Flávio Bolsonaro

William Oliveira Publicado em 01/03/2026, às 19h56
O senador Rodrigo Pacheco articula sua possível candidatura ao governo de Minas Gerais condicionando a decisão a um acordo político de alcance nacional. O ex-presidente do Senado quer garantias de que a legenda à qual pretende se filiar não esteja alinhada ao projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro, mantendo espaço para eventual apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado.
Pacheco, atualmente no PSD, avalia deixar o partido e negocia sua filiação com MDB ou União Brasil. Nos bastidores, aliados afirmam que ele não rejeita disputar o governo mineiro e abrir palanque para Lula, mas busca segurança política antes de oficializar a candidatura, diante das indefinições nacionais das siglas.
Durante visita conjunta com Lula a cidades da Zona da Mata de Minas atingidas por enchentes no sábado (28), o presidente elogiou o senador e reforçou a proximidade entre ambos. A avaliação no entorno de Pacheco é de que a viabilidade eleitoral em Minas depende diretamente da articulação conduzida pelo próprio governo federal com as direções nacionais dos partidos.
O principal impasse envolve o posicionamento nacional de MDB e União Brasil, que mantêm diálogo tanto com o governo quanto com setores do bolsonarismo. Há receio, por exemplo, de que o MDB componha a chapa de reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o que poderia dificultar um alinhamento estadual em Minas. Já o União Brasil fechou acordo recente com Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro, sinalizando aproximação com a direita.
Nos bastidores, também se cogita a possibilidade de Lula oferecer ao MDB a vaga de vice em sua chapa presidencial como parte da negociação nacional. Além disso, ministros da legenda — como Renan Filho, Simone Tebet e Jader Filho — e lideranças do União Brasil devem intensificar as conversas para definir o posicionamento das siglas.
A definição precisa ocorrer até o início de abril, prazo limite para trocas partidárias de quem pretende disputar as eleições. Mesmo que não haja garantia de coligação formal com Lula, aliados de Pacheco consideram essencial que o partido escolhido adote ao menos postura de neutralidade e não integre a base de apoio de Flávio Bolsonaro.
Em Minas, o cenário segue indefinido. O PSD já sinalizou a intenção de lançar o vice-governador Matheus Simões, enquanto a direita se divide entre o senador Cleitinho e a possibilidade de um nome próprio do PL. Nesse contexto, a decisão de Pacheco dependerá do equilíbrio entre viabilidade eleitoral local e alinhamento político nacional.
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