Presidente defende criação de grupo de trabalho global e afirma que enfrentamento ao tráfico exige alternativas econômicas e ação conjunta entre países

Lívia Gennari Publicado em 07/05/2026, às 18h04 - Atualizado às 18h48
O presidenteLuiz Inácio Lula da Silvaafirmou nesta quinta-feira (7), em Washington, que o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas precisa ir além de operações militares e da instalação de bases estrangeiras em outros países. Segundo ele, o enfrentamento do problema passa pela construção de alternativas econômicas e por uma articulação internacional coordenada.
A declaração foi feita após conversa com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Lula também negou que tenha discutido com o norte-americano a possibilidade de facções criminosas brasileiras serem classificadas como grupos terroristas, hipótese que vem sendo debatida nos Estados Unidos.
Durante a conversa, o presidente brasileiro afirmou ter destacado que, historicamente, os Estados Unidos adotam estratégias de combate ao tráfico baseadas em ações militares em outros territórios, sem enfrentar as causas estruturais do problema. Para ele, não é possível exigir que comunidades deixem de produzir drogas sem oferecer condições econômicas que garantam alternativas de sobrevivência.
Na avaliação de Lula, enquanto houver pobreza, desigualdade e demanda por drogas, o tráfico continuará encontrando espaço para se expandir. Ele defendeu que o enfrentamento ao crime organizado seja tratado como uma responsabilidade compartilhada entre os países, sem imposições ou hegemonia de uma única nação.
Lula também afirmou que o Brasil está disposto a colaborar na criação de um grupo de trabalho internacional voltado ao combate às facções criminosas e ao tráfico de drogas. A proposta envolveria países da América do Sul, da América Latina e, futuramente, outras nações interessadas em participar da articulação global.
O presidente ainda ressaltou a experiência brasileira no enfrentamento ao tráfico de drogas e de armas, com destaque para a atuação da Polícia Federal. Segundo ele, parte das armas que circulam no Brasil tem origem nos Estados Unidos, além de haver esquemas de lavagem de dinheiro ligados a estados americanos.
Se a gente colocar a verdade em torno da mesa e criar um grupo de trabalho para trabalharmos juntos, a gente pode resolver em anos aquilo que não se resolveu em séculos”, afirmou Lula ao defender uma estratégia baseada em cooperação internacional e transparência.
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