Durante coletiva no Japão, Lula elogiou a decisão do STF e destacou a gravidade das acusações contra o ex-presidente Bolsonaro

William Oliveira Publicado em 27/03/2025, às 09h17
Na noite de quarta-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a decisão da Justiça brasileira que aceitou a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados por tentativa de golpe de Estado. O pronunciamento ocorreu em Tóquio, Japão, durante coletiva de imprensa em sua visita oficial.
Mais cedo, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, tornar réus Bolsonaro e mais sete pessoas pelos crimes de golpe de Estado e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
Lula elogiou a atuação da Suprema Corte, destacando que a decisão se baseia em investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, além de delações que revelam detalhes dos eventos no Brasil. Ele reforçou a gravidade das acusações contra Bolsonaro, afirmando que há provas de que o ex-presidente tentou desestabilizar o governo e conspirou contra a segurança de autoridades.
"É visível que o ex-presidente tentou dar um golpe no país. É visível, por todas as provas, que ele tentou contribuir para o meu assassinato, para o assassinato do vice-presidente e para o assassinato do ex-presidente da Justiça Eleitoral brasileira. Todo mundo sabe o que aconteceu nesse país", afirmou o líder do Executivo.
O presidente também criticou os pedidos de anistia feitos por Bolsonaro e aliados. "Não adianta ficar pedindo anistia antes do julgamento. Quando ele pede anistia antes do julgamento significa que está dizendo que foi culpado. Ele deveria provar a inocência dele porque não precisava pedir anistia", afirmou.
A coletiva marcou o encerramento da visita de Lula ao Japão, onde se reuniu com o primeiro-ministro Shigeru Ishiba e o imperador Naruhito. Em seguida, ele seguirá para o Vietnã antes de retornar ao Brasil.
Lula classificou a viagem como uma das mais importantes que já fez ao Japão, ressaltando o fortalecimento das relações bilaterais em temas como democracia e multilateralismo. Ele também destacou a necessidade de reformar a governança global, especialmente no Conselho de Segurança da ONU, buscando uma representação mais justa da geopolítica atual.
Além dos encontros políticos, o presidente se reuniu com empresários, sindicalistas e pesquisadores brasileiros que vivem no Japão. Em 2025, Brasil e Japão celebrarão 130 anos de relações diplomáticas, um marco para a cooperação entre os dois países.
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