Emenda prevê compensação a empresas para evitar demissões e impactos econômicos com a mudança na jornada

Erika Osti Publicado em 16/04/2026, às 17h14
O debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 ganhou um novo foco no Congresso Nacional após o deputado Nikolas Ferreira apresentar uma emenda à proposta que altera a jornada semanal no país. O texto sugere que o governo federal assuma os custos adicionais que empresas possam ter com a eventual redução da carga horária, hoje fixada em até 44 horas semanais. A medida surge em meio à tramitação de propostas que preveem jornadas mais curtas e intensifica a disputa sobre quem deve arcar com o impacto econômico da mudança.
A emenda foi apresentada no contexto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende substituir o modelo 6x1 por formatos com mais dias de descanso. Entre as alternativas em discussão está a redução da jornada para até 36 horas semanais, enquanto um projeto do governo propõe 40 horas no modelo 5x2. O tema mobiliza diferentes setores e deve avançar nas próximas semanas na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Pelo texto sugerido por Nikolas, empresas seriam ressarcidas pela União caso comprovem aumento de custos decorrentes da nova jornada. O parlamentar argumenta que a intenção é evitar que o setor produtivo absorva sozinho os impactos financeiros da mudança, o que, segundo ele, poderia resultar em demissões, aumento da informalidade e retração econômica.
Em declarações públicas, o deputado reconheceu que a redução da jornada pode trazer ganhos sociais, como mais tempo de descanso e convivência familiar para os trabalhadores. Ainda assim, sustenta que a proposta precisa ser acompanhada de medidas de compensação. Na avaliação dele, transferir integralmente os custos para as empresas criaria um desequilíbrio no mercado de trabalho.
Como alternativa, a emenda sugere mecanismos como desoneração da folha de pagamento e ajustes fiscais para equilibrar o impacto da mudança. Apesar disso, o parlamentar não detalhou como funcionaria, na prática, o modelo de ressarcimento às empresas.
A iniciativa contrasta com parte da base governista e de setores que defendem que a adaptação à nova jornada deve ser absorvida pelo mercado, sob o argumento de que a medida representa um avanço em direitos trabalhistas e qualidade de vida. Já representantes do setor empresarial demonstram preocupação com o aumento de custos operacionais, especialmente em áreas com alta dependência de mão de obra.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, decidiu manter a tramitação das PECs sobre o tema, mesmo após o envio de um projeto de lei pelo governo federal. A expectativa é que o texto avance nas comissões e possa ser levado ao plenário nas próximas semanas.
Com interesses divergentes e impactos econômicos relevantes, a discussão sobre o fim da escala 6x1 deve seguir como um dos principais temas da agenda legislativa, exigindo negociação entre governo, Congresso e setor produtivo para definição de um modelo viável.
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