Diário de São Paulo
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DARK HORSE

Mario Frias gravou filme sobre Bolsonaro e registrou presença na Câmara no mesmo dia, aponta reportagem

Documentos obtidos pela Folha indicam que o deputado federal participou de gravações do filme Dark Horse em São Paulo enquanto também aparecia como presente em sessão deliberativa da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Mario Frias aparece em documentos da produção de Dark Horse como participante das gravações do filme sobre Jair Bolsonaro, enquanto registros da Câmara apontam presença em sessão legislativa na mesma data. - Imagem: Reprodução
Mario Frias aparece em documentos da produção de Dark Horse como participante das gravações do filme sobre Jair Bolsonaro, enquanto registros da Câmara apontam presença em sessão legislativa na mesma data. - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 15/06/2026, às 11h53


O deputado federal Mario Frias está envolvido na produção do filme Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, com documentos indicando sua participação em gravações em São Paulo no mesmo dia em que registrou presença em uma sessão da Câmara dos Deputados em Brasília.

Frias estava escalado para filmar cenas em um hospital e, embora os cronogramas confirmem sua presença nas gravações, não há evidências claras de irregularidade, já que ele poderia ter viajado entre as duas cidades a tempo.

A situação levanta questionamentos sobre a produção do filme, que já está sob investigação por possíveis irregularidades em contratos públicos e financiamento, enquanto a Câmara dos Deputados não registra deslocamentos pessoais de seus membros.

Uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo revelou novos detalhes sobre a participação do deputado federal Mario Frias na produção do filme Dark Horse, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo documentos obtidos pelo jornal, Frias teria participado de gravações do longa-metragem em São Paulo no dia 25 de novembro de 2025, mesma data em que registrou presença em uma sessão deliberativa presencial da Câmara dos Deputados, em Brasília.

De acordo com os cronogramas da produção, o parlamentar estava escalado para atuar em cenas gravadas em um hospital da capital paulista. No filme, Frias interpreta o personagem Dr. Álvaro, médico que integra a equipe responsável pelo atendimento a Bolsonaro após o atentado sofrido durante a campanha presidencial de 2018.

Os documentos apontam que o deputado deveria chegar ao local das gravações às 9h30, com filmagens previstas entre 11h e 15h. Pessoas ligadas à produção teriam confirmado que o cronograma foi executado conforme planejado.

Ao mesmo tempo, registros oficiais da Câmara dos Deputados mostram que Mario Frias apareceu como presente na sessão deliberativa realizada naquele dia. A reunião começou às 15h23 e se estendeu até as 20h51.

A reportagem ressalta que não é possível afirmar que houve irregularidade, já que existiria a possibilidade de deslocamento aéreo entre São Paulo e Brasília a tempo de registrar presença na sessão antes do encerramento dos trabalhos legislativos.

Além da atuação diante das câmeras, documentos analisados pela Folha indicariam participação de Frias como produtor-executivo do filme. Segundo a publicação, referências ao parlamentar apareceriam em arquivos internos da produção por meio de marcações técnicas utilizadas pela equipe cinematográfica.

O caso amplia as discussões em torno da produção de Dark Horse, obra que já vem sendo alvo de investigações e questionamentos relacionados a contratos públicos, repasses financeiros e conexões entre integrantes do projeto e entidades que recebem recursos governamentais.

Até o momento, não há indicação de ilegalidade atribuída ao deputado em relação à sua participação no filme. A Câmara informou que apenas viagens custeadas pela própria Casa ficam registradas em seus sistemas administrativos, não havendo informações sobre deslocamentos particulares.

Nos bastidores políticos, a revelação volta a colocar o longa-metragem no centro do debate nacional, em um momento em que o projeto enfrenta crescente escrutínio por parte de órgãos de controle e investigadores.


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