Diário de São Paulo
Siga-nos
Trabalho

Lula volta a defender fim da escala 6×1 e pede que empresários não se assustem com PEC

Presidente afirmou que proposta em debate no Congresso busca melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores sem impor mudanças “na marra” aos setores produtivos.

Lula voltou a defender o fim da escala 6×1 durante evento em São Paulo e afirmou que mudanças precisam respeitar a realidade de cada setor - Imagem: Reprodução
Lula voltou a defender o fim da escala 6×1 durante evento em São Paulo e afirmou que mudanças precisam respeitar a realidade de cada setor - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 19/05/2026, às 14h22


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o fim da jornada de trabalho 6×1 durante um evento na zona norte de São Paulo, enfatizando que a proposta visa proporcionar mais tempo livre para os trabalhadores, o que pode impactar positivamente a qualidade de vida e a convivência familiar.

A proposta de emenda à Constituição que discute essa mudança está em debate no Congresso Nacional e deve avançar com a apresentação do primeiro parecer oficial, com defensores argumentando que jornadas mais flexíveis podem melhorar a saúde e a produtividade dos trabalhadores.

Lula garantiu que a mudança não será imposta de forma uniforme, respeitando as particularidades de cada categoria profissional, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ressaltou a importância de discutir a proposta sem criar falsas expectativas e considerando os impactos econômicos para as empresas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta terça feira (19) o fim da escala de trabalho 6×1 durante participação em um evento internacional da indústria da construção civil realizado na zona norte de São Paulo.

Durante o discurso, Lula pediu que empresários do setor não se assustem com a proposta de emenda à Constituição que discute mudanças na jornada de trabalho no Brasil. A PEC vem sendo debatida no Congresso Nacional e deve avançar nos próximos dias com a apresentação do primeiro parecer oficial do relator, o deputado Léo Prates (Republicanos-BA), prevista para esta quarta feira (20).

Ao defender a proposta, Lula afirmou que trabalhadores desejam ter mais tempo livre para convivência familiar, lazer, estudos e qualidade de vida. O presidente também reforçou que qualquer mudança precisará considerar as particularidades de cada categoria profissional e dos diferentes setores da economia.

“O povo quer mais tempo para ficar em casa, para estudar, para ter lazer, para namorar”, declarou o presidente durante o evento.

Lula voltou a afirmar que a medida não será imposta de forma obrigatória ou uniforme a todos os segmentos do mercado de trabalho. Segundo ele, a proposta precisa respeitar as características específicas de cada profissão.

“Mas enquanto tiver trabalhador, a gente tem que saber o seguinte, a gente tem que respeitá-los e nós sabemos que a jornada de trabalho, ela vai ser aplicada, levando em conta a especificidade de cada categoria. Ninguém vai impor, sabe, na marra”, afirmou.

O presidente ainda destacou que a intenção do debate é construir alternativas que tragam benefícios sociais sem desconsiderar o funcionamento da economia e da produção nacional.

“É preciso a gente respeitar a realidade de cada categoria, de cada profissão, de cada setor econômico, para a gente fazer as coisas que resultem no benefício que nós queremos resultar, de trazer mais benefício para a sociedade brasileira”, completou.

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força nos últimos meses e se tornou um dos temas centrais das discussões trabalhistas no país. O modelo atualmente adotado em diversos setores prevê seis dias consecutivos de trabalho para apenas um dia de descanso.

Defensores da mudança argumentam que jornadas mais flexíveis podem melhorar a saúde física e mental dos trabalhadores, aumentar a produtividade e proporcionar mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Por outro lado, representantes do setor produtivo demonstram preocupação com possíveis impactos financeiros, aumento de custos operacionais e dificuldades de adaptação em áreas que dependem de funcionamento contínuo.

O tema também foi comentado nesta segunda feira (18) pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante participação na Apas Show, evento promovido pela Associação Paulista de Supermercados.

Segundo Tarcísio, é importante discutir a proposta sem criar falsas expectativas para os trabalhadores e considerando os impactos econômicos para empresas e empregadores.

“Lógico que todo mundo quer que o trabalhador possa passar mais tempo em casa, possa ter uma escala menor, ganhar a mesma coisa e estar com seus entes queridos. Mas a gente não pode enganar o trabalhador. E trabalhador e empreendedor funcionam juntos, formam um único sistema”, afirmou o governador.

A expectativa agora gira em torno da apresentação do relatório da PEC no Congresso Nacional, que deve indicar os próximos passos da discussão sobre possíveis mudanças nas jornadas de trabalho no Brasil.


últimas notícias