Presidente brasileiro critica criação do Conselho da Paz e afirma que destruição não pode ser seguida de projetos “com pompa”

Letícia Sales Publicado em 04/03/2026, às 14h25
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quarta-feira (4) os planos anunciados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reconstruir a Faixa de Gaza. As declarações foram feitas durante evento que marcou a cooperação entre o Brasil e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura.
Em janeiro, Trump lançou o chamado Conselho da Paz, iniciativa internacional que, segundo o governo norte-americano, pretende atuar na mediação de conflitos e na estabilização de regiões em crise. Entre os primeiros projetos anunciados está um plano para reconstrução de Gaza, com investimento estimado em US$ 5 bilhões.
Ao comentar a proposta, Lula questionou a lógica de destruição seguida por iniciativas de reconstrução.
“Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres e crianças, para agora aparecerem com pompa criando um Conselho, para dizer: ‘Vamos reconstruir Gaza’?”
Sem citar diretamente o nome de Trump, o presidente brasileiro afirmou que o plano pode transformar a área devastada em um espaço voltado ao turismo de alto padrão.
“resort para milionário passar férias no lugar onde estão os cadáveres das mulheres e das crianças”
Em outro trecho do discurso, Lula reforçou a necessidade de posicionamento da comunidade internacional diante de conflitos armados.
Muitas vezes, a gente fica impassível. Se a gente não gritar, se a gente não falar, se a gente não se mexer, nada acontece”, disse Lula.
O presidente voltou a defender a paz como caminho indispensável para o avanço global, classificando-a como “a única possibilidade de fazer com que a humanidade avance”.
O Conselho da Paz foi oficialmente lançado por Trump no início do ano, com convite aberto a dezenas de países, incluindo o Brasil. Até o momento, ao menos 19 nações assinaram a carta de criação do órgão. Itália, França e Alemanha estão entre os países que rejeitaram a participação. O governo brasileiro ainda não formalizou resposta.
Nos bastidores diplomáticos, há avaliações de que a iniciativa pode reduzir o protagonismo da Organização das Nações Unidas na mediação de crises internacionais, uma vez que o novo conselho terá os Estados Unidos na presidência.
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