Divergências sobre a inclusão da Nicarágua desafiam a diplomacia brasileira e o futuro do bloco

Sabrina Oliveira Publicado em 22/10/2024, às 10h12
O governo brasileiro decidiu vetar a entrada da Nicarágua nos BRICS, o bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A decisão foi tomada após uma série de desentendimentos diplomáticos entre Brasília e Manágua, que culminaram na expulsão do embaixador brasileiro da Nicarágua em agosto deste ano. O episódio aconteceu depois que o diplomata brasileiro se ausentou de uma cerimônia em homenagem à revolução sandinista, liderada pelo presidente Daniel Ortega.
A reunião para discutir a expansão dos BRICS ocorrerá nesta quinta-feira (22). Além da Nicarágua, outros países, incluindo Venezuela, Turquia, Bolívia, Marrocos e Cuba, estão na fila para integrar o bloco. No entanto, a entrada de alguns desses candidatos esbarra em preocupações políticas e diplomáticas de alguns membros atuais, especialmente do Brasil.
O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, já declarou publicamente ser contrário à adesão da Venezuela, governada por Nicolás Maduro. O presidente Lula tem se mostrado inclinado a seguir essa orientação, apesar de seu histórico de alianças com o líder venezuelano em anos anteriores. Fontes do Palácio do Planalto indicam que a decisão final deve levar em conta a pressão interna e o impacto nas relações regionais.
No entanto, o veto brasileiro não é unanimidade dentro do governo. Algumas vozes na diplomacia defendem uma postura mais flexível, sugerindo que a inclusão de novos membros fortaleça o bloco em sua missão de se tornar uma força multipolar capaz de enfrentar desafios globais de maneira mais independente.
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