Diário de São Paulo
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Lula defende reforma na OMC e critica desigualdade em discurso no Brics

Presidente destaca urgência de reformas globais e alerta para concentração de riqueza e riscos da inteligência artificial

Lula defende justiça tributária e cobra mudanças no sistema global - Imagem: Ricardo Stuckert / PR
Lula defende justiça tributária e cobra mudanças no sistema global - Imagem: Ricardo Stuckert / PR

Lívia Gennari Publicado em 06/07/2025, às 16h50 - Atualizado às 19h43


, Durante a abertura da sessão plenária sobre multilateralismo, economia e inteligência artificial na cúpula dos Brics, realizada nesta tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a necessidade urgente de reformar instituições internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Lula afirmou que a paralisia da OMC e o aumento do protecionismo criam uma “assimetria insustentável” para os países em desenvolvimento, ressaltando que a reforma da organização é um dos pilares para um sistema econômico global mais justo. Além disso, o presidente defendeu ajustes no sistema de cotas do FMI, buscando maior representatividade para essas nações.

Em sua fala, o presidente brasileiro também abordou a questão da inteligência artificial, alertando para o risco de que essa tecnologia se torne uma ferramenta de manipulação nas mãos de bilionários e não um avanço acessível a todos os países. Os Brics divulgaram uma declaração conjunta sobre o tema, buscando um desenvolvimento tecnológico mais democrático.

Presidente critica modelo econômico desigual

Lula ainda criticou o modelo neoliberal, que, segundo ele, aprofunda desigualdades ao permitir o acúmulo extremo de riqueza por uma minoria. O presidente lembrou que, desde 2015, três mil bilionários aumentaram suas fortunas em US$ 6,5 trilhões e defendeu a justiça tributária e o combate à evasão fiscal como caminhos para garantir um crescimento inclusivo e sustentável.

Seguindo o mesmo tom, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que também discursou no evento no último sábado (5), reiterou o apoio do Brasil à criação de uma Convenção-Quadro das Nações Unidas para a Cooperação Internacional em Matéria Tributária, proposta que busca estabelecer um sistema fiscal global mais justo e inclusivo.

“É um passo decisivo para que os super-ricos do mundo finalmente contribuam com sua parte justa em impostos”, afirmou Haddad, destacando que essa iniciativa é fundamental para construir um sistema internacional mais eficaz e representativo, especialmente no que se refere à taxação das grandes fortunas.

As falas de Lula e Haddad reforçam o posicionamento do Brasil na defesa de reformas estruturais nas instituições globais e de políticas econômicas que priorizem a redução das desigualdades e a inclusão social.

A 17ª Cúpula dos Brics (BRICS 2025) acontece entre os dias 4 e 7 de julho deste ano, no Rio de Janeiro, reunindo os chefes de Estado e autoridades dos países-membros para dois dias de intensos debates.

Anunciado pelo Itamaraty e confirmado pela Presidência da República, o encontro busca fortalecer a cooperação entre as nações do bloco e discutir temas centrais da agenda global, como economia, comércio, tecnologia e governança internacional. A expectativa é que as discussões gerem propostas concretas para um sistema mais justo, inclusivo e sustentável.


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