Presidente afirma que PCC e CV serão combatidos pelas autoridades brasileiras e defende soberania nacional

Redação Publicado em 29/05/2026, às 14h12 - Atualizado às 14h30
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (29), que o Brasil continuará enfrentando o crime organizado com as próprias instituições e rejeitou qualquer possibilidade de interferência estrangeira no combate às facções criminosas no país. A declaração ocorre após o governo dos Estados Unidos anunciar a intenção de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
A medida foi divulgada na quinta-feira (28) pelo Departamento de Estado norte-americano, comandado por Marco Rubio. Em resposta, o governo brasileiro publicou uma nota oficial reforçando que as facções já são tratadas pelas autoridades nacionais como organizações criminosas responsáveis por espalhar violência em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas, armas e milícias.
Durante agenda em Sergipe, onde participou de anúncios de investimentos da Petrobras e visitou hospitais, Lula comentou o posicionamento dos Estados Unidos e disse ter recebido a notícia com preocupação.
Estou muito triste hoje, com a notícia de que o Secretário dos Estados Unidos, da América do Norte, um tal de Marco Rubio disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção", afirmou.
Lula reconheceu que PCC e CV promovem terror em regiões periféricas do país, afetando diretamente moradores e famílias, mas afirmou que o enfrentamento dessas organizações cabe exclusivamente ao Estado brasileiro.
Governo teme impacto no PIX
Na nota divulgada pelo governo federal, o Palácio do Planalto destacou que o combate às facções criminosas é prioridade permanente das forças de segurança e ressaltou que as ações desses grupos têm motivação financeira ligada ao tráfico e outros crimes, sem relação com terrorismo internacional de caráter ideológico, político ou religioso.
O texto também afirma que o Brasil mantém cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado e citou propostas apresentadas aos Estados Unidos para ampliar o compartilhamento de inteligência, combater a lavagem de dinheiro e reforçar o controle do tráfico internacional de armas.
Apesar de defender parcerias internacionais, o governo criticou medidas unilaterais e advertiu que decisões externas podem prejudicar investigações, comprometer a troca de informações entre autoridades e gerar impactos econômicos no país. A nota ainda menciona possíveis reflexos sobre o sistema financeiro brasileiro e cita o PIX como uma inovação nacional que poderia ser afetada por interesses estrangeiros.
O comunicado também faz críticas indiretas à família Bolsonaro, acusando aliados do ex-presidente de buscar apoio internacional para pressionar o governo brasileiro. Segundo o texto, a soberania nacional é “inegociável” e qualquer definição sobre o combate ao crime deve partir das instituições brasileiras.
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