Senador afirmou que medida fortalece o combate ao crime organizado, enquanto Celso Amorim classificou como inaceitável qualquer possibilidade de intervenção estrangeira em assuntos internos do Brasil.

Ana Beatriz Publicado em 28/05/2026, às 23h13
O governo dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas, uma decisão que gerou reações no Brasil e reacendeu o debate sobre o combate ao crime organizado e a soberania nacional.
Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, celebrou a decisão como um reconhecimento da gravidade das facções criminosas brasileiras, que têm expandido suas atividades na América Latina, enquanto o assessor da Presidência, Celso Amorim, expressou preocupação com possíveis interferências externas.
A divergência entre Flávio e Amorim reflete visões opostas sobre a cooperação internacional no combate ao crime, com a oposição vendo a medida como um avanço, enquanto o governo defende cautela para preservar a soberania do Brasil, um tema que deve continuar a repercutir nas relações bilaterais.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PL, comemorou nesta quinta-feira (28) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida provocou reações imediatas no cenário político brasileiro e abriu um novo debate sobre o combate ao crime organizado e a soberania nacional.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio afirmou que sua atuação internacional como pré-candidato teria produzido mais resultados para a segurança pública do que os governos do PT ao longo dos últimos anos.
Segundo o senador, a decisão americana representa um reconhecimento internacional da gravidade da atuação das facções criminosas brasileiras, que expandiram suas atividades para além das fronteiras nacionais e hoje possuem influência em diversos países da América Latina.
Na publicação, Flávio declarou que fez "mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros" em uma única viagem internacional do que o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam feito em 17 anos de governo.
A declaração ocorre após uma série de articulações e contatos realizados por integrantes da oposição brasileira com autoridades e parlamentares americanos para defender uma postura mais rígida contra organizações criminosas que atuam no Brasil.
Do outro lado, o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, manifestou preocupação com os possíveis desdobramentos da decisão americana.
Em nota oficial, o ex-ministro das Relações Exteriores afirmou que o combate ao crime organizado deve ser prioridade permanente das autoridades brasileiras, mas ressaltou que qualquer justificativa para interferência externa em assuntos internos do país é inaceitável.
Segundo Amorim, a classificação das facções como organizações terroristas pode abrir precedentes diplomáticos delicados caso seja utilizada para justificar algum tipo de atuação estrangeira em território brasileiro.
"O crime organizado deve ser combatido com firmeza, mas pretextos para intervenção estrangeira no Brasil são inaceitáveis", afirmou o assessor presidencial.
A decisão dos Estados Unidos ocorre em meio ao aumento das preocupações internacionais com o avanço de organizações criminosas transnacionais envolvidas em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, contrabando de armas e outras atividades ilícitas.
O PCC e o Comando Vermelho são considerados as duas maiores facções criminosas do Brasil e possuem atuação em diferentes estados do país, além de conexões com organizações criminosas estrangeiras. Ao longo dos últimos anos, autoridades brasileiras e internacionais ampliaram operações conjuntas para combater a expansão dessas redes criminosas.
A divergência entre Flávio Bolsonaro e Celso Amorim evidencia visões distintas sobre como o Brasil deve lidar com a cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado. Enquanto a oposição vê a medida americana como um avanço no combate às facções, integrantes do governo defendem cautela para evitar questionamentos sobre a soberania nacional.
O tema deve continuar repercutindo nos próximos dias, especialmente diante dos impactos diplomáticos e jurídicos que a classificação pode gerar nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
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