O presidente brasileiro ainda afirmou que a "ONU precisa se adequar à realidade global"

Marina Roveda Publicado em 26/08/2023, às 18h51
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou neste sábado (26) a necessidade de uma reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) e argumentou que a organização deve se adaptar à realidade atual do mundo. Ele expressou a opinião de que a ONU, ao longo dos anos, perdeu força e agora precisa dar mais espaço e voz às nações emergentes.
O Conselho de Segurança foi estabelecido com o propósito de manter a paz mundial. Atualmente, é composto por 15 membros, sendo 10 deles não permanentes e 5 permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia). Lula defende a inclusão do Brasile de outros países em desenvolvimento da América Latina, África e Ásia.
Durante uma reunião com a cúpula do Brics, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os líderes do grupo assinaram uma declaração pedindo a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Lula ressaltou o desejo de ver o Brasil, Índia, Alemanha, Japão e outras nações ingressarem no Conselho de Segurança, alegando que a representação geográfica precisa ser mais equilibrada com a realidade atual.
“Deixamos claro que nós defendemos que o Brasil entre no Conselho de Segurança, que a Índia entre, que a Alemanha entre, que o Japão entre. Tem divergências, mas não são nossas. Países grandes como Egito e Nigéria precisam entrar no Conselho de Segurança para que a gente tenha uma representação geográfica mais condizente com a realidade de hoje”, comentou o presidente durante entrevista a jornalistas em Luanda, capital de Angola.
Lula também criticou os membros permanentes do Conselho de Segurança, afirmando que muitas vezes são responsáveis por conflitos globais. Ele expressou sua preocupação com o fato de que esses países frequentemente tomam ações militares sem consulta prévia ao Conselho de Segurança.
“A Rússia vai para a Ucrânia sem discutir no Conselho de Segurança. Os Estados Unidos vão para o Iraque sem discutir no Conselho de Segurança. A França e a Inglaterra vão invadir a Líbia sem passar pelo Conselho de Segurança. Ou seja, quem faz a guerra são os países do Conselho de Segurança, quem produz armas são os países do Conselho de Segurança, quem vende armas são os países do Conselho de Segurança. Está errado”, acrescentou Lula.
O presidente ressaltou que a "ONU já não representa completamente os princípios" pelos quais foi criada e citou exemplos recentes, como a situação dos palestinos, para ilustrar a fraqueza da organização em fazer cumprir suas resoluções. Lula enfatizou a necessidade de reformular a ONU para torná-la mais eficaz em promover a paz e a estabilidade global.
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