Ex-ministro deixa a Fazenda, critica gestão estadual e articula alianças para fortalecer palanque de Lula

Letícia Sales Publicado em 20/03/2026, às 11h27
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) deu início, nesta sexta-feira (20), ao primeiro evento de sua pré-campanha ao Governo de São Paulo, afirmando que tem condições de derrotar o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas eleições de outubro. Segundo ele, a atual gestão apresenta fragilidades, especialmente nas áreas de educação e economia.
Haddad deixou o Ministério da Fazenda na quinta-feira (19) com a missão de construir um palanque sólido no maior colégio eleitoral do país para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante café da manhã com jornalistas na capital paulista, o petista criticou diretamente o governador. “Tarcísio não familiaridade com São Paulo”, disse Haddad, ao apontar problemas administrativos e citar a queda de R$ 26 bilhões no caixa do estado.
O ex-ministro também afirmou que ainda não definiu seu companheiro de chapa e que iniciará conversas com aliados nos próximos dias. Entre os nomes citados estão Márcio França (PSB), Guilherme Boulos (PSOL), Tabata Amaral (PSB) e Marina Silva (Rede).
“Eu evitei conversar com demais forças políticas até consolidar com o presidente essa pré-candidatura”, afirmou.
Haddad negou que sua candidatura represente um “sacrifício” e destacou o desafio de ampliar sua presença no interior paulista. “Interior talvez tenha que acordar para problemas que estão acontecendo por problemas da gestao atual”, declarou.
Confirmação e discurso político
A pré-candidatura foi oficializada na noite de quinta-feira (19), em evento no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, com a presença de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e de ministros.
No discurso, Haddad rebateu críticas sobre sua disposição de disputar novamente o governo paulista. “Quando eu vejo notícia de que o Haddad está indo para o sacrifício, eu digo, essa pessoa ainda não sentou comigo para tomar um chope, porque se ela me conhecesse, ela jamais diria que entrar no ringue por essa boa causa é um sacrifício para mim. É um grande privilégio lutar ao lado de vocês”, afirmou.
Ele também ressaltou o espírito competitivo da campanha. “Você pode ter uma derrota eleitoral em qualquer eleição, todos nós aqui já passamos por eleições, já ganhamos, já perdemos, mas uma derrota política você nunca precisa ter, e a maneira correta de fazer uma eleição é ir para o embate para ganhar a eleição”, disse.
Apoio de Lula e cenário eleitoral
Durante o evento, Lula elogiou a atuação de Haddad no governo federal e justificou a escolha do nome para a disputa em São Paulo. “Ele queria deixar porque queria estudar, porque ele queria sair um pouco da política, porque queria fazer não sei o quê. E eu tive uma conversa com Haddad mostrando que a situação política do Brasil e do mundo é tão grave, que se a gente não pegar as melhores pessoas que a gente tem e não resolver fazer a luta para defender a democracia, nós corremos risco de, por omissão, entregar a democracia outra vez aos fascistas que, durante tão pouco tempo, governaram esse país, mas fizeram um estrago muito grande”, declarou o presidente.
Lula também demonstrou confiança no resultado eleitoral. “Para a minha alegria, o companheiro Haddad resolveu outra vez colocar o nome dele à disposição para ser candidato a governador do Estado de São Paulo. Essa eleição, eu estou dizendo para o Haddad, ele vai ser o futuro governador de São Paulo. Primeiro porque ele está muito mais do que preparado para isso. Segundo, porque ele já é o ministro da fazenda mais exitoso que esse país já teve”, afirmou.
O presidente ainda foi enfático ao comparar Haddad com adversários. “Ele é incomparavelmente melhor do que todos que estejam dispostos a disputar com ele, inclusive melhor do que o governador atual, bem melhor”, disse.
Composição da chapa
Além de Haddad, o grupo político já conta com a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), como candidata ao Senado. A segunda vaga ainda está em negociação, e Lula chegou a sugerir que Alckmin considere disputar, embora tenha indicado que a posição de vice permanece em aberto.
A movimentação marca o início de uma disputa que deve polarizar o cenário político paulista, com Haddad tentando reverter o resultado de 2022, quando foi derrotado por Tarcísio no segundo turno.
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