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Governo Lula destina R$ 80 milhões para campanha pelo fim da escala 6x1

Valor investido em publicidade é o dobro do utilizado na divulgação da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e reforça aposta do governo na pauta trabalhista.

Governo federal investiu R$ 80 milhões em campanha publicitária para defender o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho - Imagem: Reprodução
Governo federal investiu R$ 80 milhões em campanha publicitária para defender o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 30/05/2026, às 13h39


O governo Lula alocou R$ 80 milhões para uma campanha publicitária visando o fim da escala de trabalho 6x1, destacando a proposta de redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem perda salarial. Essa ação se tornou uma das maiores iniciativas de divulgação institucional da atual gestão, buscando apoio popular para a mudança.

A campanha, que começou em maio, utiliza o slogan 'Mais tempo para viver. Sem perder salário.' e argumenta que jornadas mais curtas podem melhorar a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores. Dados do governo indicam que cerca de 37 milhões de trabalhadores seriam beneficiados pela proposta, que já foi aprovada pela Câmara e aguarda análise no Senado.

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) não planeja aumentar o orçamento da campanha, que já supera investimentos em outras iniciativas, como o programa Desenrola Brasil. A discussão sobre a redução da jornada gera divisões entre setores políticos e empresariais, com defensores apontando avanços nos direitos trabalhistas e críticos temendo impactos econômicos.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva destinou R$ 80 milhões para campanhas publicitárias em defesa do fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e descansa apenas um. O investimento foi coordenado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e se tornou uma das maiores ações de divulgação institucional da atual gestão.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o valor aplicado na campanha é o dobro do gasto realizado pelo governo na divulgação da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês, considerada uma das principais medidas econômicas defendidas pelo Palácio do Planalto nos últimos anos.

A campanha começou a ser veiculada em maio e utiliza o slogan “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito”. As peças foram distribuídas em televisão, rádio, internet, jornais, cinemas e até em veículos de imprensa internacional.

O objetivo da iniciativa é fortalecer o apoio popular à proposta que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas sem redução salarial e estabelece dois dias consecutivos de descanso remunerado. A medida também prevê o fim gradual da escala 6x1, uma das principais bandeiras trabalhistas defendidas pelo governo federal em 2026.

Nas peças publicitárias, o governo argumenta que jornadas menos exaustivas podem melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, fortalecer o convívio familiar e aumentar a produtividade. Um dos vídeos da campanha afirma que mudanças históricas na legislação trabalhista também enfrentaram resistência no passado, mas acabaram sendo incorporadas sem provocar os impactos negativos previstos por opositores.

Outro trecho da campanha rebate críticas relacionadas aos possíveis efeitos econômicos da redução da jornada. Segundo a publicidade oficial, trabalhadores mais descansados tendem a produzir mais, cometer menos erros e permanecer por mais tempo nos empregos.

A estratégia de comunicação ocorre em paralelo à tramitação da proposta no Congresso Nacional. A PEC que reduz a jornada de trabalho e extingue gradualmente a escala 6x1 já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e agora aguarda análise do Senado Federal.

De acordo com dados divulgados pelo governo, cerca de 37 milhões de trabalhadores seriam diretamente beneficiados pelas mudanças previstas na proposta. O Planalto também argumenta que a medida acompanha tendências internacionais observadas em países que reduziram suas jornadas semanais nos últimos anos.

Nos bastidores políticos, integrantes do governo avaliam que a defesa do fim da escala 6x1 possui forte potencial de identificação junto aos trabalhadores de baixa renda e ao eleitorado historicamente ligado ao Partido dos Trabalhadores. A pauta passou a ocupar espaço central nos discursos recentes de Lula e de aliados do governo.

A Secom informou que não há previsão de ampliar os recursos destinados à campanha e afirmou que a distribuição da publicidade segue critérios técnicos relacionados à audiência, alcance geográfico e perfil do público-alvo.

O investimento também supera os cerca de R$ 45 milhões destinados à divulgação da nova etapa do programa Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas.

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho tem dividido setores políticos, empresariais e representantes dos trabalhadores. Enquanto defensores da proposta afirmam que a medida representa um avanço na qualidade de vida e nos direitos trabalhistas, críticos argumentam que a mudança pode gerar aumento de custos para empresas e impactos em setores que dependem de escalas contínuas de funcionamento.


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